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Eu me apaixonei pelo que inventei de você

Este primeiro momento no trem foi decisivo, enquanto o vendedor ambulante grita sobre seus produtos de origem duvidosa e você pensa em todo esse açúcar que ele oferece com a língua presa e sorri. Foi este momento que fez meu mundo inteiro girar. Imaginei neste instante como te apresentaria aos meus pais, Andreia? ou será que era Giuliana? Definitivamente você tem cara de Larissa, não sei.

Tentei descobrir durante toda esta viagem como era seu cabelo, já que o escondia dentro da touca do velho e surrado moletom. Seus olhos sem cor definida, talvez castanhos claros ou cor de mel, encaixavam perfeitamente no seu rosto sem maquiagem. Está muito cedo, eu entendo que talvez tenha acordado atrasada e não teve tempo de se maquiar. Sua mãe teria te acordado ou seu gato? Você tem arranhados no rosto, consigo notar a essa distância. A capa do seu celular me faz mudar de ideia quanto ao seu nome, tem um V, será de Vitória ou do álbum cinco do Maroon Five?

De moletom e calças rasgadas combinando com um vans modelo antigo e skateboard, está indo trabalhar ou estudar? Pelo amor dos deuses, não me diga que ainda está no ensino médio, teríamos muitos problemas quando você entrasse na faculdade. Já imagino suas amigas, Duda e Marcella, com certeza elas, te dizendo para terminar comigo. Começamos muito cedo e você não aproveitou a vida, talvez sua mãe dissesse o contrário, ela gosta de mim. Sou capaz de ver pela forma como ela adora que eu tire teu irmão, Davi?, do vídeo-game e faço ele suar na quadra de basquete. Seu pai, infelizmente já morto, com total certeza abençoaria esse relacionamento, tenho certeza também que estaríamos sentados na sala vendo um jogo do Palmeiras, mesmo eu sendo corintiano, apenas para agradá-lo. Ele recusaria ceder uma cerveja, perguntando-me mais uma vez quais meus planos para o futuro e você gritaria com ele para se calar e aí então eu ganharia uma cerveja gelada.

Seus gatos, como pude esquecer deles? Lilith e Laugh, daquela marca sem pelo que eu nunca lembro o nome e te irrito chamando de marca ao invés de raça. Estariam no meu pé, pelo fato de eu não gostar deles, mas eles me amariam porque vêem que no fundo eu te faço tão bem.

Duda seria nossa madrinha de casamento, mesmo grávida. Já consigo imaginar ela rechonchudinha, vestida de azul,. enquanto o Padre pergunta se alguém tem alguma coisa contra o nosso casamento. As lágrimas correm no rosto dela e durante a festa novamente chora. Pega uma taça e faz o discurso de que me odiava a princípio, por tudo que te fiz passar, mas vê o quanto te incentivei a crescer. Marcella não compareceu, infelizmente durante os anos, você acabou percebendo a víbora que ela era, até mesmo aproveitadora, eu diria. Davi se tornou um ótimo jogador de basquete, graças ao incentivo que eu dei, mas ele seguiu outro caminho, foi para faculdade de arquitetura fora do Brasil.

Sua mãe se orgulha muito de você, menina.

Não consigo entender porquê por detrás desse sorriso torto, que dá pela linguá presa do vendedor aqui do trem, você esconde tantos arranhados e choro engasgado, por que se odeia tanto se eu já te amo? Se eu acabei de construir todo nosso futuro?

Tomo coragem de perguntar o seu nome e ver minha história toda cair por terra quando o trem finalmente faz sua parada e você desce. Nunca mais te verei.

Mas garota, me faz um favor?

Diga a sua mãe para continuar fazendo aquela lasanha de molho verde, porque é uma delicia, e não esqueça de fechar a torneira após escovar os dentes a noite, precisamos cuidar bem do mundo em que vivemos para que assim, talvez, ele conspire para nós estarmos juntos de novo.

Mesmo que só na minha cabeça.

É, me apaixonei mesmo pelo que inventei de você.

Quatro notas

Verão.

Céu aberto.

Estrelas.

Brisa fresca,

Confusão.

Sento no alto do beiral da laje do casarão com uma garrafa de whisky e meu velho ukulele vermelho, nas cordas quatro notas são o suficiente para me transportar. Vago por um universo de infinitas possibilidades, onde minha mente insana e ébria descobre cada curva do seu corpo no escuro. Onde minhas mãos fazem mais do que apenas bagunçar as cordas de um velho instrumento bordô. Contemplo a existência de uma plenitude do outro lado e a cada dedilhar vislumbro um futuro que ainda não existe e me perco neste extenso caminho entre os diálogos que, infelizmente, só eu sei de cor.

Um gole, seguido do outro, e as palavras saem molhadas para fora da minha garganta que rouca dos vários cigarros fumados pela ansiedade, grita com todo o ar que puxa dos pulmões para uma lua cheia e brilhante, como um lobo solitário.

Sei que ninguém é capaz de ouvir os gritos que dou e aqui do alto do segundo andar observo a imensidão negra abaixo. Grande como o próprio vazio no meu peito e me pergunto se as borboletas do jardim, que sei que existem, estariam em algum lugar lá embaixo da mesma forma como tenho certeza que voam de um lado à outro dentro do meu estomago neste momento.

Uma quinta nota.

Uma nova dúvida.

Um mau começo.

Uma noite azul.

Um novo gole.

Tudo igual.

Nada mudou.

#Projeto365

Eu sou a pessoa mais frustrada da vida por nunca conseguir completar um projeto sequer. Quer dizer, não digo projetos de um modo geral, mas esses que a gente se coloca uma meta no início do ano e acaba largando no decorrer, sabe? Acho que já tem uns 2 ou 3 anos que tento fazer aqueles projetos fotográficos mês a mês, e sempre acabo desistindo lá pela metade do primeiro mês, esqueço que existe instagram e essas coisas costumeiras.

Este ano, porém, tive a ideia de me enfiar no 365 dias. Esse, pelo que dizem, é um dos mais difíceis de cumprir, primeiro porque a vida é monótona demais pra gente se inspirar em tirar fotos todos os dias, segundo porque se preocupar com esse tipo de projeto é cansativo. Mas eu parei pra pensar em um fato interessante: de toda a sua vida, quantos dias você realmente lembra com detalhes? Quantas coisas você se recorda de ter feito e dizer que, por mais simples que tenha sido aquele dia, ele realmente teve um momento importante, singular ou algo que te fez sorrir nem que seja por poucos segundos? Exatamente… A gente tem a tendência chata de guardar os momentos desagradáveis, e esquece que os dias ruins não são feitos totalmente de momentos ruins.

Pensando nisso, eu decidi me aventurar. Apesar de adorar fotografia, eu não sou alguém que tá sempre apontando a câmera pra todos os cantos e clicando, então esse desafio vai ser bastante complicado pra mim, primeiro porque exige a criação de um hábito que eu não tenho, que é tirar fotos com constância e atualizar o instagram. Segundo porque eu sou aquele tipo de pessoa com tendências pessimistas, o que também envolve a criação de um novo hábito que é ver o lado bom das coisas.

  • Its a new dawn its a new day its ahellip
  • Sideshow Bob?

Como funciona?

Bom, agora que nós já entendemos porquê eu decidi me enfiar nisso, que tal falar sobre o projeto?

Como eu já disse, o projeto consiste em basicamente tirar uma foto por dia, durante 365 dias, e publicar em uma rede social (normalmente instagram, facebook e flickr, mas nada impede de você escolher qualquer outra) com as devidas tags e legendas.

Tenho que começar no primeiro dia do ano?

Veja bem, eu tenho tocs, então achei que seria justo começar isso no dia 1º de janeiro (já que só a ideia de começar no meio do ano já me causa desconfortos), junto com todos os demais projetos que eu decidi iniciar nessa mesma época. Mas nada impede da pessoa começar em outubro, por exemplo. Não é um projeto com muitas regras, na verdade, eu acredito que a principal regra é se divertir.

Esqueci de postar uma foto hoje, preciso abandonar o projeto?

Não! Existe dias em que realmente nossa cabeça está em outro lugar e você simplesmente esquece de algumas coisas, só por isso precisa abandonar o que estava fazendo? Não faça como eu em anos anteriores, afinal o intuito disso é se divertir e não tornar o projeto uma obrigação. Caso você se esqueça de postar a foto em um dia, você pode simplesmente pular aquele dia e continuar contando do seguinte (o que vai fazer o seu projeto durar um pouco mais do que 365 dias), ou compensar postando duas fotos no próximo. Não tem problema. A brincadeira é sua e você leva do  jeito que quiser, ok? Ok!

Mas Gigi, uma foto por dia é muito! Não pode ser mais light?

Claro que pode. Se você acha que o compromisso de fazer uma foto por dia é muito, você pode se enfiar em outros projetos. Exite inúmeros blogs como a Fat Mum Slim e a Lominha, com suas tags #PhotoADay e o #TheFabulousProject, que consistem em criar temas para suas fotos diárias, e são desafios mensais inspirados em listas que elas postam em seus blogs e instagram.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Além disso, se 365 fotos é muito pra você, existe o Projeto 52 semanas, onde você só publica uma foto por semana. Dá pra todo mundo brincar de todos os jeitos.

Se você quer saber mais sobre o projeto e, quem sabe, até começar o seu, você pode entrar nos grupos do Flickr ou Faceboook dedicados à troca de figurinhas ou acompanhar a galera que também participa. Tem também o site 365Project, onde você pode se divulgar.

 

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