Bêbada de saudade.

Dia desses passeando pela enseada lembrei dos seus olhos verdes quase cinza no verão que eram como a luz intensa de um farol que me guiava a segurança, e hoje se apagaram. O mesmo cinza se tornou frio e distante. Acendo um ou dois cigarros não importa, mas caso importasse sei que diria “um dia você vai acabar sufocado com isso” acabou que o que me sufocou não foi o cigarro, foi você e sua indiferença.

Caminhei sozinha durante um bom período enquanto as músicas teimavam em tentar me animar, como se mais uma vez o meu ipod fosse capaz de sincronizar com meu humor, acredito que isso seja de fato uma função existente. Suas tatuagens, as vinte e duas que tinha quando nos conhecemos estão guardadas na minha mente como figurinhas coladas num álbum de criança, queria ter tido a oportunidade de catalogar as outras quatro que sei que fez.

Durante todo esse tempo eu procurei sobre você, das sombras, distante e como um cão acuado segui seus passos, queria ter certeza que não iria se perder no caminho e caso isso ocorresse eu estaria lá para te ajudar, te colocar nos trilhos, que tolice a minha… você nunca precisou disso. De fato era você quem me direcionava, mas nunca quis assumir isso, faria de mim dependente. Da mesma forma que eu nunca assumiria que adorava ficar na ponta dos pés para um beijo te roubar e de olhos fechados no teu peito me perder, eu nunca falaria isso, não para você.

E as flores que eu cultivava morreram todas, acho que o meu humor acabou afetando elas durante esses anos em que você não apareceu. Parece que o inverno chegou e nunca mais foi embora, e por mais que lá fora esteja quarenta graus eu sinto como se aqui dentro ainda estivesse pouco menos de cinco. O vinho não é capaz de aquecer minha alma, não quando sua taça permanece posta e eu só consigo beber saudade.

A verdade é que desde sua partida eu tenho estado perdida, e agora que perdi, também, suas pegadas preciso descobrir outro caminho pra trilhar. Talvez as qualidades escotistas me ajudem a desbravar uma nova trilha rumo ao desconhecido.

Estou com medo,

Está frio,

Está escuro,

Nada ilumina,

Sinto falta do teu abraço,

do teu sorriso.

24 anos. Muita confusão e nenhuma decisão. Certezas e coração vazios, copo e mente cheias. Perdido nos singulares que aspiram a plural. Trocando pessoas e pronomes porque acha que o imperfeito não participa do passado.

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