Consulta #5 – I’m a mess

Doutor;

Já faz tempo, não é? Eu sei… Talvez eu estivesse presa em algum tipo de limbo, não sei ao certo como explicar, mas o importante é que eu estou de volta. Eu e todos aqueles sentimentos ridículos que eu venho tentando esconder ou rejeitar.

Eu estou uma bagunça ainda maior do que aquela que você costumava conhecer, é verdade. Mas o que eu posso dizer? Não sou eu mesma sem toda essa confusão, não sei ser eu mesma sem todos esses sentimentos misturados e massacrados dentro do meu peito, tentando inutilmente entender o que eu quero da minha vida!

Ontem foi um dia bastante confuso, e este vai ser mais um daqueles textos auto biográficos infundados, então já peço desculpas por qualquer incoerência.

Eu estava no bar, aquele que eu gosto de ir, mas por algum motivo tinha deixado já há muito tempo. E de repente ele estava lá também. No começo a minha vontade era pular no pescoço e fingir que éramos velhos conhecidos, mas eu me contive. Juro por Deus.

– Já faz tempo…

– É verdade…

– Lembra de mim?

– Claro. Foi aqui que nos conhecemos, não? Talvez uns cinco ou seis anos. – Ele deu um gole na cerveja.

– Sim, é verdade. Você conhece a banda?

– Nunca ouvi, mas eles estão levando um som legal.

– Verdade. – Foi a minha vez de dar um gole na cerveja.

– Quer cerveja?

– Valeu. – Ergui a garrafa mostrando que tinha a minha.

– Hm…

– Que mundo doido.

– Verdade.

– Olha, eu gosto de você, sabia? Pode não parecer, mas eu gosto. E eu sei que neste momento você deve estar cagando pra isso ou pra qualquer outra coisa, mas eu precisava dizer que eu gosto.

– Tudo bem…

– Eu sei que não sou nenhum padrão de garota ideal ou aquela que vai pular no seu pescoço e te encher de beijos e demonstração insana de carinho, eu tenho os meus defeitos, e posso até me desculpar pelo que estou fazendo, mas não posso me desculpar por aquilo que eu sou. Você me entende?

– Sim.

– Ótimo. – Nós dois bebemos nossas cervejas.

– Você quer sair daqui?

– Quero sim, mas eu não quero que esta seja só mais uma noite pra eu guardar na minha coleção.

– Desculpe.

– Pelo que?

– Por tudo. Você entende?

– Sim.

– Tudo bem.

– Eu sou essa confusão mesmo. Esse monte de ideias desconexas tentando fazer algum tipo de conexão o tempo todo. E eu não sei como lidar com isso.

– A gente vai se ver de novo?

– Provavelmente não. Não que eu não queira, eu quero enlouquecidamente, mas eu não sei se você é capaz de lidar.

– Tudo bem.

Doutor, eu ainda não aprendi a viver pela metade, nem a me contentar com um tudo bem. Não que eu esteja inteira agora, mas tá tudo bem também.

Pseudo intelectual, aspirante a fotógrafa, curiosa por natureza, cheia de ideias revolucionárias que nunca vão chegar a lugar algum. Gosta de filmes de terror, séries dos mais variados tipos e livros dos mais distópicos possíveis. Caiu na besteira de querer ser programadora, mas depois de um tempo foi fazer publicidade e hoje ganha a vida resolvendo problemas que as pessoas não sabiam que tinham. Já tentou ser mestre pokémon, não gosta de princesas e não sabe ser uma menina meiga. Apaixonada por mitologia, vampiros e qualquer outra coisa sobrenatural. Fala mal de tudo, inclusive das coisas que gosta.

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