Breathe

Doutor;

Eu abri os braços e fechei os olhos. Deixei que o cortante vento daquela fria noite de outono tocasse o meu rosto enquanto ainda segurava nos pulmões a fumaça do cigarro. Permiti ficar um pouco tonta com a sensação da nicotina percorrendo o meu sangue e então suspirei, só para puxar novamente o ar e encher os pulmões como se pudesse explodir a minha caixa torácica com a violência que ele invadia o meu peito.

É incrível, não é mesmo? Como o nosso corpo reage e trabalha sem que ao menos precisemos pensar a respeito, mas às vezes nos colocamos tão fundo no piloto automático que começamos a esquecer quem somos, o que queremos ou o que gostamos. Talvez eu tenha entrado neste labirinto, o que me faz lembrar também que talvez não seja a primeira vez. E o único momento em que consigo trazer a mim mesma aquela sensação de que ainda existe alguém vivendo aqui dentro, é quando me permito dar aquela profunda tragada. Quando a cabeça bambeia e os pensamentos se tornam leves.

Quando foi que caímos neste lastimável ciclo de obrigações? Acorda, levanta, come, trabalha, estuda, dorme. Quando foi que paramos de nos permitir a viver? Quando foi que todos os sonhos foram enterrados e toda aquela sede do mundo foi simplesmente apagada como a chama cansada de uma vela no fim da vida? Não somos tão pequenos a ponto de nos permitir zerar, ao mesmo tempo que se isso acontece, o mundo não vai parar para nos esperar, e as pessoas continuam seguindo suas vidas, enquanto você permanece pra trás, talvez sozinho ou talvez com alguém que ainda te suporte. Mas a velha pergunta martela a sua cabeça: até quando?

Chega uma hora que a gente simplesmente cansa, mas não de viver! Cansa de se abandonar, de estar cem por cento no piloto automático, cansa de se desconhecer e de se afundar. Mas este buraco não tem fim, ou você já chegou tão fundo que mal consegue distinguir a inércia? Chega uma hora que não dá mais.

Então, eu fechei os braços, abri os olhos e decidi… Newton que se cuide, porque suas leis não me prendem mais.

Pseudo intelectual, fotógrafa, curiosa por natureza e cheia de ideias revolucionárias que nunca vão chegar a lugar algum. Gosto de filmes de terror, séries dos mais variados tipos e livros dos mais distópicos possíveis. Já tentei ser mestre pokémon, não gosto de princesas e tenho um conhecimento desnecessário em astrologia. Sou apaixonada por mitologia, vampiros e coisa sobrenaturais. Falo mal de tudo, inclusive do que eu gosto. As vezes eu posso parecer um pouco grossa, mas na dúvida, lê de novo enquanto imagina unicórnios e arco-íris.

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