Mal humor

Passei um bom tempo olhando a tela do meu celular enquanto observava suas mensagens todas em cascata sem abri-las apenas para não mostrar que eu corro desesperado para te responder assim que as vejo, esperando por uns bons minuto de chat contigo. Tento me convencer de que não deveria responde-lo de imediato, mesmo com o impulso de fazer isso o quanto antes e de sentir que sua atenção está inteira voltada a mim – sem sucesso.

Não sei fazer esses jogos de ignorar, nunca sei qual a dosagem certa ou perfeita para que não lhe faça perder o interesse. Não sei o quanto lhe preocupa pois ainda não aprendi como você pensa, neste quase um ano, já completo, ainda não sou capaz de dizer se você ri das minhas piadas ou da minha cara de bobo fazendo-as, talvez seja um conjunto que te interesse – ou não. Ainda não sou capaz de distinguir os seus sorrisos, por mais que eu me atente e busque as brechas para então infiltrar-me em sua vida o bastante para estar presente ainda sinto esta frustração apertar meu peito e eu então desejo os poderes do Killgrave para mandar que todos obedeçam as minhas ordens – estas de te fazer feliz em cada pequeno momento.

Já quis ser O herói dos quadrinhos para te salvar e até mesmo algum vilão da vasta galeria só ter certeza que você viria atrás de mim, um dia após o outro incansavelmente em uma relação tóxica e mortal, mas à ideia de brincar de tom & jerry acaba me excitando muito além do que deveria, e sei que você só virá atrás de mim quando eu desistir.

Mas meu bem, eu não estou pronto!

Não quero ter de abrir mão. Não quero abaixar minha espada e sucumbir à esse medo primórdio e ridículo. Quero levantar e lutar com unhas e dentes – com sorte sou escolhido como patrulheiro da galáxia ou algo do gênero. O que importa é que preciso de você, preciso mesmo, é como se eu tivesse me viciado no seu toque, seu cheiro, seu sabor, sua textura.

Viciado em você.

Indeciso e com medo, fecho a cara e acabo ignorando meus impulsos. Meus desejos de te querer a cada segundo do meu dia que se estende incansavelmente sem sua presença doce e singela. Sinto tua falta como se sempre tivesse estado presente, o que eu sei que é mentira e desisti de pensar sobre o assunto, acabo por aceitar que isso é mesmo paixão. Quente e fugaz, que me tira o ar do pulmão e embaralha meus pensamentos.

Droga!

Isso que você é, uma droga que me viciou e agora preciso de mais.

E não faço ideia de como conseguir, não como se eu pudesse comprar a cada esquina.

24 anos. Muita confusão e nenhuma decisão. Certezas e coração vazios, copo e mente cheias. Perdido nos singulares que aspiram a plural. Trocando pessoas e pronomes porque acha que o imperfeito não participa do passado.

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