A caminho da insanidade.

Sabe Doutor,

Definitivamente resolvi brincar com fogo, essa sensação que é uma mistura de perigo com, qualquer, outra coisa que me alucina, eleva meus pensamentos a um grau de hiperativismo completamente novo. Fico completamente trêmulo ao mesmo tempo em que me sinto sereno.

Me vi perdido quando olhei pro seu rosto ruborizado e muito próximo do meu, desde o instante em que resolvi chutar pra escanteio toda a minha sanidade, no momento em que avancei sem me preocupar e pronto para o tudo ou nada – e claro esperando o nada pelo meu enorme pessimismo.

Notei que não tinha o que temer quando já em seus braços senti aquela sensação de segurança, aquela que a eons eu não sabia como era, o tempo mudou e o frio se fez útil mais uma vez a este velho lobo rabugento, os segundos que de tão acostumados a correr para me deixar atrasado em todas as situações desaceleraram e jogaram ao meu favor, a pequena fração do dia em que estive em sua companhia pareceu uma eternidade que poderá ser lembrada por um bom tempo.

A lua não estava presente no céu mas eu tinha a sensação de que ela estava minguante, talvez com a mesma aparência do Cheshire e aquele sorriso psicodélico de felicidade e travessura no céu que refletia perfeitamente em meu olhar.

Estou enlouquecendo Doutor, não consigo prestar atenção em qualquer coisa sem me dar o luxo de lembrar da forma como o sorriso fraco e desconsertado dele me faz perder o ar, sem me lembrar do som de sua respiração junto ao meu corpo, ou da forma como seus olhos ficam quando está com sono e se aconchegando junto a mim.

É incrível! Não é Doutor?

Que eu tenha passado com ele apenas poucas horas e já ter notado tantas coisas que geralmente passariam despercebidas. A forma como ele se atrapalha com as palavras ao tentar explicar algo que jura que não irei entender, enquanto deixo o riso frouxo pra ver até onde ele vai e o calo com um beijo, doce e gentil. Observo que ele não resiste, inclusive até insiste para que eu não pare pois ele também tem a mesma sensação de esquecer do mundo.

Sinto sua pele na minha como milhões de pequenos choques que me instigam a querer mais ao mesmo tempo que me dão um simples aviso de não ir com tanta sede ao pote. Sinto que eu deveria ser precavido mas ao seu lado quero mandar toda minha metodologia capricorniana para bem longe, esquecer todos os planos que eu estava arquitetando e deixar na mão do acaso, afinal ele sempre irá me proteger enquanto eu andar distraído.

A pergunta que ecoa em minha mente é, se terei isso de novo. A ansiedade que percorre todo meu sistema nervoso me deixando ligado a uma alta voltagem, pilhado e com um desejo enorme. Começo a contar as horas para que tudo se repita, começo a contar os minutos para o próximo encontro. Começo a delirar pensando nas coisas belas da vida, em arte moderna, em filmes de comédia, em lugares floridos, em céus estrelados e o sorriso dele iluminando tudo!

Poisé Doutor,

Estou indo de zero-a-cem de novo, isso é infinitamente positivo!

24 anos. Muita confusão e nenhuma decisão. Certezas e coração vazios, copo e mente cheias. Perdido nos singulares que aspiram a plural. Trocando pessoas e pronomes porque acha que o imperfeito não participa do passado.

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