Ponto

Ei você! Sim… Você mesmo de cabelos bagunçados, com os fones de ouvido e o olhar perdido na janela. Desde o primeiro momento em que te vi, percebi que tínhamos uma ligação. Não adianta desviar os olhos envergonhado, eu já entendi qual é a sua. Entendi que você também me entendeu e nessa sua atitude de desviar o olhar, busca meu reflexo no vidro só pra ter certeza se eu me mantive firme. Você sorri e abaixa os olhos, talvez pra trocar de música ou fingir que responde alguma mensagem, mas volta a olhar e desta vez quem desvia o olhar sou eu, na tentativa de te fazer acreditar que nem é tudo isso, mas eu sei que você entendeu a jogada. Estamos conectados. E depois desse jogo de desviar e encarar, nós trocamos um sorriso, um esperando que o outro faça a conexão se tornar maior, mas nenhum dos dois é forte o suficiente pra quebrar o silêncio e trocar o jogo. Eu disfarço, passo as mãos pelos cabelos e suspiro, afinal estamos nos aproximando do final. Desanimada, me aproximo da porta e dou o sinal, mas antes de descer tenho que olhar pra trás, a ultima despedida, o fim da conexão. Foi bom enquanto durou, foi profundo e eterno à nossa maneira. Talvez nos encontremos pelos pontos da vida, mas na melhor das hipóteses melhor que tenha sido assim, singular e único, sem mais repetições, sem mais encontros.

Pseudo intelectual, aspirante a fotógrafa, curiosa por natureza, cheia de ideias revolucionárias que nunca vão chegar a lugar algum. Gosta de filmes de terror, séries dos mais variados tipos e livros dos mais distópicos possíveis. Caiu na besteira de querer ser programadora, mas depois de um tempo foi fazer publicidade e hoje ganha a vida resolvendo problemas que as pessoas não sabiam que tinham. Já tentou ser mestre pokémon, não gosta de princesas e não sabe ser uma menina meiga. Apaixonada por mitologia, vampiros e qualquer outra coisa sobrenatural. Fala mal de tudo, inclusive das coisas que gosta.

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