Consulta #1 – Fora do comum

Doutor;

eu tentei. Eu juro que tentei. Tentei ser uma moça normal, dessas que levam o namoradinho pros pais conhecerem, passa os finais de semana no shopping assistindo a filmes merdas e enchendo o rabo de fast food. Eu tentei, juro que tentei. Tentei ter um relacionamento estável, desses que duram anos e que as pessoas se suportam, porque do contrario se matariam. Que passam os dias no sofá assistindo à documentários no Discovery Channel ou as cacetadas no Domingão do Faustão. Eu tentei até fazer sexo com carinho. Eu tentei me amarrar e dizer que gostava de alguém. Tentei simplesmente deixar levar pra ver até onde as coisas iriam. Eu tentei, doutor, eu juro que tentei e falhei miseravelmente, não durou nem duas semanas, se você quer saber.

Falhei porque não sou moça que leva namorado pra casa, que se encanta com qualquer palhaçada, que deixa o riso frouxo pra qualquer retardado. Falhei, doutor, porque não sei fazer amor, não sei ser carinhosa e dedicar meu precioso tempo a quem, de fato, não precisa de mim. Eu falhei, mas porque eu quis falhar, porque no fim eu sou a mesma filha da puta de sempre, que não se importa com os sentimentos alheios e só quer saber do prazer próprio. Falhei, porque no final das contas a vida não tem graça se for levada de um jeito manso.

Gosto de pegada com força, de um palavrão solto e de nenhum compromisso quando o dia amanhece. Gosto da liberdade, de encarar quem me encante até desencantar, de pular de galho em galho, sem destino certo. Falhei porque sou canalha, e dessa parte de mim eu não posso abrir mão.

Pseudo intelectual, aspirante a fotógrafa, curiosa por natureza, cheia de ideias revolucionárias que nunca vão chegar a lugar algum. Gosta de filmes de terror, séries dos mais variados tipos e livros dos mais distópicos possíveis. Caiu na besteira de querer ser programadora, mas depois de um tempo foi fazer publicidade e hoje ganha a vida resolvendo problemas que as pessoas não sabiam que tinham. Já tentou ser mestre pokémon, não gosta de princesas e não sabe ser uma menina meiga. Apaixonada por mitologia, vampiros e qualquer outra coisa sobrenatural. Fala mal de tudo, inclusive das coisas que gosta.

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