Quando a TV Brasileira Acerta

Como todo mundo já deve saber, o conteúdo exibido pela TV aberta no Brasil não é dos melhores. Basta uma passeada pelos canais para constatar a desgraça desse país. Boa parte das obras de ficção tem histórias fracas e acabam obrigando os autores e produtores a focarem na baixaria para obterem audiência. Mas nesse cenário onde a programação da TV naufraga, algumas poucas obras televisivas se salvam. São minisséries e novelas que, além de terem belos textos e atuações, tem uma imagem e figurino que de tão belos chegam a ser líricos.

A minissérie Capitu (baseada no livro Dom Casmurro, de Machado de Assis) é uma dessas “jóias raras” da TV aberta. Era de uma beleza indescritível, as falas das personagens extremamente fiéis a narração do autor, e o figurino era de arrancar suspiros. O grande destaque de Capitu foi a atriz e cantora, Letícia Persiles, que interpretou a personagem-titulo na primeira fase da trama.

Já a divertida “Afinal, o Que Querem as Mulheres?” tinha um enredo baseado numa frase de Sigmund Freud. Na trama, o psicólogo André Newman, tentava dar uma resposta a maior dúvida do pai da psicanálise: “Afinal, o que querem as criaturas femininas?”. Durante sua busca, André mergulha de cabeça no universo feminino, um universo de atrizes já conhecidas pelo público, mas que nessa série estavam fazendo uma bela (e rara) atuação.

A Pedra do Reino foi o primeiro trabalho do projeto “Quadrante” para a TV aberta. A microssérie musical tinha como plano de fundo o universo criado por Ariano Suassuna, um dos gênios da literatura brasileira. Ao contrário dos outros programas citados, não tinha atores famosos no elenco, o que fez com esse belo trabalho passasse quase despercebido na programação aberta. A trama se passava no sertão do nordeste e era um misto de realidade e folclore muito bonito de se ver e ouvir.

Atualmente o telespectador pode se maravilhar com “Cordel Encantado”, a novela global do horário das 18 h. Pode parecer piegas falar de uma novela, mas essa merece a atenção do público. É simplesmente algo que nunca imaginamos ver na TV aberta. É claro que a trama é uma grande história de amor (como em toda novela), mas esta consegue se destacar por ser gravada no nordeste e mistura o regionalismo com contos de fada nos moldes europeus. A produção ainda conta com um lindo trabalho de fotografia e uma trilha sonora composta só por grandes artistas do norte e nordeste como Gilberto Gil, Nação Zumbi e Zeca Baleiro.

Vendo essas minisséries e novelas, percebemos que apesar de toda a baixaria e sensacionalismo, a TV aberta do Brasil oferece algumas atrações de qualidade, cabe ao telespectador saber garimpá-las.

Universo Alternativo é um blog de entretenimento (ou não), criado em meados de 2009 e, quando nada deu certo, foi morto e reinventado a partir do zero (em 2014) como se nada tivesse existido antes. Gerado diretamente do Caos (Caos), assim como seus irmãos Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão), UA é a personificação dos universos paralelos existentes no Cosmos. Para um melhor entendimento sobre o assunto, indicamos o estudo de mitologias de um modo geral.

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