Costeletas, brotos e rock’n’roll

Às vezes, me bate um sentimento, um tanto nostálgico. Que me leva aos anos 50 e faz meu peito bater com a velocidade de um Hot Rod. Então, feito lobisomem em noite de lua cheia, eu me transformo. Eu me torno rockabilly.

Lambuzo o cabelo com brilhantina, arrumo minha costeleta, visto a combinação calça jeans-camiseta branca-jaqueta de couro, e vou pra rua à moda James Dean.

“Mas tem gente metida com o rockabilly ainda hoje, em pelo ano 2011?”

Acredite, colega. Pode não ser algo mainstream, como vestir calça laranja e usar óculos de aro verde, mas tem sim. Só observar em lugares como o centro de São Paulo, que sempre se acha um rapaz com um topete, colete e tatuagens de estilo pin-up.

“Mas, topete? Costeleta? Qualquer um pode fazer!”

Poder, até pode. Mas o legal é ir numa barbearia, por exemplo, e fazer o clássico “barba, cabelo e bigode” ao som de  Johnny Cash, ou um hillbilly desenterrado do baú do vovô. Tipo na Barbearia 9 de Julho, aqui em São Paulo. Em plena Rua Augusta, numa galeria modesta, esconde-se esse lugar onde passa gente de todo tipo, seja para fazer um topetão, ou simplesmente passar a máquina na juba.

“Ah, sim. E pra se divertir, vai-se à barbearia?”

Só se fizer o seu gosto. Mas a preferência é sair pra dançar, ao som de Jerry Lee Lewis ou Stray Cats. Alguns bares oferecem, semanal ou mensalmente uma noite com o som da época da vovó. Como o The Red One, que todas as quintas tem o Caio Durazzo acoustic 50’s, apresentando um repertório de rockabilly, com a sutileza de ser acústico.

Cito também o The Clock Bar, na Barra Funda. Bar temático dos anos 50 e 60, a casa tem o que se entende como clássico da época: mesas de parede com assentos em vinil vermelho, garçonetes vestidas a caráter e música ao vivo todas as noites. Ótimo para levar o broto para dar uns giros na pista de dança, e até quem não sabe dançar não fica de lado, pois o próprio pessoal de lá dá uma aula básica antes da banda da noite subir ao palco.

Eu tenho verdadeira fixação pelo estilo, e acho que não há nada mais bonito que uma moça vestida para dançar um rockabilly (se for tatuada, então!), se pudesse teria vivido na época em que Elvis Presley, Johnny Cash, Jerry Lee Lewis e Carl Perkins eram os fodões do pedaço.

Sabe, acho que eu estou é ficando velho.

Universo Alternativo é um blog de entretenimento (ou não), criado em meados de 2009 e, quando nada deu certo, foi morto e reinventado a partir do zero (em 2014) como se nada tivesse existido antes. Gerado diretamente do Caos (Caos), assim como seus irmãos Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão), UA é a personificação dos universos paralelos existentes no Cosmos. Para um melhor entendimento sobre o assunto, indicamos o estudo de mitologias de um modo geral.

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