O Pistoleiro e o Caçador – Altamente Explosivos

Hoje o assunto é sério. Os famigerados filmes ruins. Tomei apenas dois como exemplos mais recentes de produções que me deram arrepios. É incrível como alguns projetos vão pra frente, mesmo que já pareçam bombas certas antes mesmo de finalização de roteiro. E isso não acontece pelo plot ser ruim na maioria das vezes, mas sim pelas escolhas. Um filme bom precisa de um elenco forte, uma direção inteligente e um roteiro bem escrito. Quando nenhuma dessas medidas são tomadas fica praticamente impossível sair algo digno de estrear no cinema. Mas eles estreiam e estão cada vez mais comuns.

Jonah Hex é o primeiro. O melhor entre os dois, o que não significa que seja um bom filme. Estamos falando de um clássico das HQs dos anos 70. Jonah Hex é um pistoleiro caçador de recompensas. Sua estória é normal, como a de qualquer bom e velho western, pelo menos nas HQs. No filme a coisa vira uma salada, misturando elementos sobrenaturais e até mesmo de ficção científica. O sobrenatural se aplica pelo personagem ter a capacidade de falar com os mortos ao tocá-los. Hex (Josh Brolin) foi vítima de uma emboscada, onde conheceu seu maior inimigo, Turnbull (John Malkovich). Nessa situação sua esposa e filho foram queimados vivos, com o detalhe dele ter assistido tudo de camarote. Turnbull estava se vingando pelo pistoleiro ter matado seu filho, um vilão dos assuntos políticos da época. Após o assassinato, Turnbull marca o rosto de Hex com um ferro aquecido contendo suas iniciais – QT – para que o caçador de recompensas lembre-se sempre do que aconteceu aquela noite. Hex possui uma cicatriz no rosto, bastante feia diga-se de passagem, mas que não foi feita por Turnbull, nem na HQ, nem no filme. Na HQ essa marca foi feita por um chefe apache, por Hex ter infringido as regras do clã indígena do qual fazia parte. Já no filme, Hex faz isso consigo mesmo, para que não carregue as marcas de Turnbull em seu rosto.

Como podem perceber, no filme tudo foi completamente modificado. Mas não é isso que o torna ruim. O que o torna ruim são as escolhas que mencionei anteriormente. John Malkovich está presente, mas um ator não salva um filme, principalmente quando ele é um personagem secundário, ainda que seja o antagonista. A força aplicada no personagem foi mínima e Malkovich pode dar muito mais do que deu. Josh Brolin e Megan Fox nunca me convenceram, portanto fazem parte do péssimo elenco. A direção ficou a cargo de Jimmy Hayward, que de fato não é muito conhecido por esse trabalho, mas sim por animar alguns grandes títulos da Pixar, como Procurando Nemo, Monstros S.A. e Toy Story. Seu outro único trabalho como diretor foi numa animação também: Horton e o Mundo dos Quem!. Já o roteiro possuiu a assinatura de nomes envolvidos em produção ainda mais medíocres, como Adrenalina (1 e 2), Gamer e Patologia. Uma situação bastante complicada para imaginar algo de bom saindo com tanta gente errada. Deu no que deu.

Solomon Kane é o segundo. Vindo também das páginas dos quadrinhos, Kane foi uma outra criação de Robert E. Howard, que deu vida à Conan. Kane é um caçador de criaturas sobrenaturais. Viaja o mundo em busca de demônios, vampiros, feiticeiros, etc. O personagem chegou a encarar o Conde Drácula em uma de suas histórias, que era sempre publicada na revista A Espada Selvagem de Conan. Diferente de Jonah Hex, Solomon Kane não teve suas origens alteradas, muito menos sua tradição e habilidades. Mas de qualquer forma também não deu certo, devido às temíveis e errôneas escolhas. O plot do filme é interessante para quem curte esse tipo de gênero, onde a mistura sobrenatural toma o roteiro por completo. Kane é um homem que tem como especialidade matar. Devido a uma vida cheia de assassinatos ele encontra um servo do submundo que veio para levar sua alma, o que lhe faz procurar levar uma uma vida pacífica. Porém, após a morte de pessoas queridas, ele volta a pôr em prática sua especialidade e é quando tem início sua busca pelos seres da pior espécie.

O elenco é variado e tem como protagonista James Purefoy, bastante presente em séries de tv e na maior parte das vezes em filmes de segunda categoria. A direção de Michael J. Bassett é ainda pior, sendo responsável por filmes que eu nunca ouvi falar. O roteiro também é de responsabilidade do próprio diretor, que esteve à frente dos mesmos títulos que dirigiu.

Por fim, eu me pergunto porque algumas empresas investem e acreditam tanto em projetos desse nível. Todos poderiam ter se saído melhor se as escolhas fossem melhores. O medo de gastar muito e perder dinheiro é grande na indústria, mas mesmo assim foi o que aconteceu. Dinheiro jogado fora. Se não era possível realizar algo com mais investimento a melhor opção seria desistir. O dinheiro poderia ter sido usado em outro filme e, por pior que fosse, com certeza teria sido melhor que essas duas bombas.

Universo Alternativo é um blog de entretenimento (ou não), criado em meados de 2009 e, quando nada deu certo, foi morto e reinventado a partir do zero (em 2014) como se nada tivesse existido antes. Gerado diretamente do Caos (Caos), assim como seus irmãos Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão), UA é a personificação dos universos paralelos existentes no Cosmos. Para um melhor entendimento sobre o assunto, indicamos o estudo de mitologias de um modo geral.

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