O RPG está morrendo?

Primeiramente precisamos saber o que é RPG. Existem muitos tipos dele, porém o primeiro a existir foi o de mesa, onde várias pessoas se reúnem para jogar se dividindo em turnos. Nessa mesa existem os jogadores e o mestre (ou narrador) que irá construir uma estória, do gênero que preferir, e guiar os jogadores em suas aventuras. O mestre também precisa criar os NPCs (Non-Player Characters), que são os personagens controlados por ele mesmo. Geralmente os NPCs são personagens colocados no jogo para ajudar ou prejudicar de alguma forma os jogadores, seja dando uma informação, entrando numa batalha ou sendo um antagonista. O material usado, nesse primeiro tipo de RPG, são livros. Na maioria das vezes as regras são separadas entre os livros básicos, onde o jogador e o mestre irão aprender a jogar, e livros mais complexos onde o mestre poderá melhorar seu conhecimento a respeito das regras do sistema usado. Já durante o jogo o que mais importa é a imaginação. Enquanto o mestre vai detalhando o cenário onde os jogadores estão e o que está acontecendo à volta, só resta a todos imaginarem e interpretarem seus personagens quando é chegada sua vez de realizar uma ação. Todos os testes realizados em uma mesa de RPG são tirados em rolagens de dados. Se alguém quer saltar, ou escalar, ou nadar, ou o que for preciso, é necessário rolar o dado – ou os dados, depende do sistema usado – e então verificar se foi obtido um sucesso ou uma falha – as vezes crítica. Vale lembrar que em um jogo de RPG – de mesa – não existe um vencedor, tudo é cooperativo.

O RPG teve início em 1974, quando foi lançado o primeiro Dungeons & Dragons. Nessa época, além da imaginação e da interpretação, usava-se também miniaturas para posicionar cada personagem em um cenário. Hoje em dia as miniaturas são usadas no D&D, mas nem sempre foi assim. Muitas mudanças foram feitas no decorrer de tantos anos e em algumas versões o uso das miniaturas era pequeno ou nulo, dependendo de preferência ou necessidade.

A maior referência do RPG é o mundo de fantasia de J. R. R. Tolkien. O D&D foi criado baseando-se em algumas criaturas e ambientações do escritor, que por sua vez não as criou, apenas as adaptou para seus livros, através de mitologias já existentes. Elfos, Orcs, Anões e toda essa turma – menos os hobbits – estão presentes no D&D. Existem também outras referências importantes no RPG que fogem o universo de fantasia e que pulam para outros gêneros, como a ficção científica e o horror. Essas referências já não são tão bem definidas, mas podemos tentar puxar algumas. No horror acredito que uma das grandes referências são os filmes do conde Drácula que podem ter dado inspiração para o Ravenloft. Ele não possuía um sistema próprio, mas mantinha um cenário totalmente diferente da fantasia. Já para o lado da ficção científica é ainda mais complicado. Eu não arriscaria em dizer um grande responsável desse gênero, mas a ficção científica no RPG sempre variou entre uma pitada de horror (Alien) ou uma pitada de Cyber-Punk (Blade Runner).

Como falei anteriormente, o RPG de mesa é apenas um dos tipos que existem. Hoje muitos games são feitos para se jogar no computador ou no console baseando-se no sistema de turnos. O mais conhecido deles é o Final Fantasy. Tambéms existem os RPGs de cartas, que são muito divertidos, principalmente para os fãs do RPG de fantasia. O mais conhecido e jogado no mundo inteiro é o Magic: The Gathering. O Magic é muito complexo, por isso fica para um post só dele.

Assim como os livros o RPG está ameaçado. Nesse caso cito com urgência o RPG de mesa. Os games e as cartas ainda sobreviverão, sendo que os games irão muito mais longe. A Wizards of the Coast, detentora dos direitos de publicação do D&D e do Magic, ainda é forte e tem mercado. Principalmente o mercado norte-americano e europeu. Já outras editoras e empresas não estão mais tão fortes. Um bom exemplo é a White Wolf, criadora do sistema Story Teller e do cenário Mundo das Trevas. Esse cenário de horror gótico ficou muito popular durante um período e criou fãs que se revezavam entre criaturas como vampiros, lobisomens, fadas, magos e etc. Há cerca de dois anos a White Wolf disse que iria parar de produzir livros impressos e que somente disponibilizaria os os livros em formato virtual (pdf e afins). Isso gerou um grande falatório, pegando pessoas como eu, que adoram ter os livros em mãos, de surpresa.

O futuro da White Wolf e de outras editoras ainda não foi revelado. Mesmo com essa notícia muitos livros são vendidos em formato normal e materiais mais simples em formato virtual. Para alguns o futuro é incerto, para outros nem tanto. O mais provável é que o RPG não irá morrer tão cedo, portanto ele não está morto. Com tantas possibilidades e opções o máximo que pode acontecer com o RPG de mesa é passar a possuir material virtual, onde pessoas terão que lê-los em computadores, celulares e etc. ou então terão que imprimi-los. O RPG de cartas também pode mudar seu formato, ganhando aspectos virtuais e até mesmo transformando-se em game (isso já acontece). Já o RPG de games terá uma vida longa.

Universo Alternativo é um blog de entretenimento (ou não), criado em meados de 2009 e, quando nada deu certo, foi morto e reinventado a partir do zero (em 2014) como se nada tivesse existido antes. Gerado diretamente do Caos (Caos), assim como seus irmãos Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão), UA é a personificação dos universos paralelos existentes no Cosmos. Para um melhor entendimento sobre o assunto, indicamos o estudo de mitologias de um modo geral.

One Comment

  • Pedro

    5 de abril de 2011 at 7:30 pm

    O melhor e ter aquele belo livro em mãos, folheando para procurar algum aspecto errado no sistema!
    adoro jogos de RPG de mesa, meu primeiro contato com o mundo dos Jogos medievais foi com um RPG de mesa sistema 3D&T Saudade desse tempo, onde eu era apenas um Minotauro matador KKKK!
    Belo post (y)

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