Os críticos de cinema e mais uma premiação

Hoje eu queria fazer algo diferente. Ao invés de elaborar uma “crítica” cinematográfica, ou, como prefiro, comentar um filme, gostaria de tentar desmistificar quem está apto a falar sobre cinema. Tudo isso começou após uma pequena discussão que aconteceu no twitter no dia 16/02, que teve como protagonistas dois críticos de cinema. Um, bastante admirado por mim, chamado Maurício Saldanha (@mausaldanha), responsável pelo site Cabine Celular e integrante do podcast semanal RapaduraCast, do portal Cinema com Rapadura. O Outro, naquela momento, bastante odiado por mim, Pablo Villaça (@pablovillaca), responsável pelo portal Cinema em Cena. A discussão partiu de uma ofensa feita por Pablo Villaça ao Maurício Saldanha, mas tudo terminou bem após ambos resolverem fazer um stream ao vivo sobre a crítica cinematográfica. O mais interessante é que acabei diminuindo minha acidez à respeito do Pablo Villaça, que se mostrou diferente do que eu imaginava durante a conversa. É natural encontrar arrogância e prepotência em alguns críticos, mas nem todos são assim em seu dia-a-dia.

Detalhes dessa discussão não vêm ao caso. Está disponível no twitter para quem quiser tirar sua própria conclusão. O importante é descobrir quem pode e quem não pode falar sobre cinema. Essa questão é fácil: é óbvio que todos estão aptos a falar sobre cinema. A única diferença está em separar a crítica teórica e técnica da crítica cinéfila.

Um crítico de cinema profissional tem como objetivo não apenas levar as pessoas ao cinema para terem a mesma experiência que ele, mas também de desmontar cada peça de um quebra-cabeça, entendê-las, explicá-las e então remontá-las. Nem sempre esse crítico será creditado, porque por mais que ele tenha uma base sólida para comentar um filme, sempre existirão opiniões divergentes à dele. É nesse ponto que entra o chamado crítico popular ou crítico cinéfilo – eu -, que é aquele que é apaixonado por cinema, mas não tem o mesmo aprofundamento teórico que o crítico profissional, mas que também será sempre discordado. Na verdade até mais. Esse aprofundamento não quer dizer que é preciso ser graduado para esse fim, mas que é necessário um estudo, mesmo que autodidata.

Todo diretor quer nos causar reações. Sempre existe um porquê de termos determinadas reações à uma cena ao assistirmos um filme. Isso tudo é entendido pelo crítico profissional e passado para nós. Muitas vezes ao lermos uma crítica descobrimos detalhes que não conseguimos observar sozinhos. Um tom de cor, uma peculiaridade no figurino, um enquadramento, um plano, um corte, um movimento de câmera, etc. Existem muitas coisas que nos fogem, por isso é bom assistirmos mais de uma vez alguns filmes. Claro que a maioria dos cineastas não usam toda essa capacidade em tela, o que leva a exaltarmos os mais brilhantes e guardarmos esses gigantes com carinho em nossa memória.

Todos temos a aptidão de expressar o que sentimos após assistir um filme. As vezes adoramos, as vezes odiamos. Mas poucos sabem nos explicar o porquê de termos sentido tudo aquilo. Essa é a grande diferença entre um e outro.

O trabalho do crítico, seja da área que for, é apontar os erros e os acertos. Na maioria das vezes ele irá representar o carrasco e é esse o motivo de muitas pessoas os odiarem – principalmente quem é do meio. Pelo menos os profissionais, que estão todos os dias no jornal ou na revista indicando o que é bom e o que é ruim. Basta termos a noção de que essa não é a palavra final, já que as opiniões divergem e o que eu gosto e entendo não é regra, muito menos lei.

Mais uma premiação do cinema aconteceu. Há alguns dias o BAFTA (British Academy of Film and Television Arts) premiou os melhores do ano de 2010 em suas categorias. Assim como o Oscar e o Globo de Ouro, com a diferença de ser de descendência britânica. Dessa vez, quem se saiu bem foi o filme O Discurso do Rei. Será que a história retratada pelo filme, que é de origem britânica, além do longa possuir produção e elenco britânico, deu alguma vantagem à eles? Nunca iremos saber o que passa na cabeça dos integrantes da academia inglesa, o fato é que muitos tem suas teorias. Porém, caso isso realmente seja verdade, apenas proporcionou uma pequena vantagem. O filme é maravilhoso e merece todo o respeito que vem tendo há algumas semanas, sendo o forte concorrente ao Oscar 2011.

Vamos aos vencedores?

Melhor Filme
O Discurso do Rei

Melhor Diretor
David Fincher (A Rede Social)

Melhor Ator
Colin Firth (O Discurso do Rei)

Melhor Atriz
Natalie Portman (Cisne Negro)

Melhor Ator Coadjuvante
Geoffrey Rush (O Discurso do Rei)

Melhor Atriz Coadjuvante
Helena Bonham Carter (O Discurso do Rei)

Melhor Ator Revelação
Tom Hardy

Melhor Filme Britânico
O Discurso do Rei

Melhor Contribuição Britânica
J.K. Rowling e a série Harry Potter

Melhor Trilha Sonora
O Discurso do Rei, de Alexander Desplat

Melhor Filme de Curta-metragem
Until the River Runs Red

Melhor Curta de Animação
The Eagleman Stag

Melhor Edição de Som
A Origem

Melhor Edição
A Rede Social

Melhor Cabelo e Maquiagem
Alice no País das Maravilhas

Melhor Filme Estrangeiro
The Girl With the Dragon Tattoo

Melhor Figurino
Alice no País das Maravilhas

Melhores Efeitos Visuais
A Origem

Melhor Design de Produção
A Origem

Melhor Roteiro Original
O Discurso do Rei, de David Seidler

Melhor Filme de Animação
Toy Story 3

Melhor Roteiro Adaptado
A Rede Social, de Aaron Sorkin

Melhor Fotografia
Bravura Indômita

Para mim o BAFTA teve um final feliz. Quem ganhou mereceu. Eu já torcia, de forma solitária, para Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter. O Oscar, provavelmente, terá um final diferente nessas e outras categorias. Quem sabe até mesmo em mais uma de minhas preferências solitárias que ainda não foram premiadas. Só nos resta aguardar para ver como esse período de premiações irá terminar.

Universo Alternativo é um blog de entretenimento (ou não), criado em meados de 2009 e, quando nada deu certo, foi morto e reinventado a partir do zero (em 2014) como se nada tivesse existido antes. Gerado diretamente do Caos (Caos), assim como seus irmãos Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão), UA é a personificação dos universos paralelos existentes no Cosmos. Para um melhor entendimento sobre o assunto, indicamos o estudo de mitologias de um modo geral.

Deixe uma resposta