Aprendendo com os loucos

Qual adolescente nunca se sentiu pressionado? Escola, garotas (os), pais, futuro, etc.  Quem nunca teve um certo estresse com todas essas coisas não viveu de verdade essa época. A escola sempre vem junto com o futuro, do qual os pais sempre adoram nos lembrar. “Estuda, menino. Você não vai querer ser igual ao seu tio, vai?”.  E as garotas? Ou garotos caso você seja uma garota. Aliás, saiba que pelo menos um menino se apaixonou por você durante o ensino fundamental? Possivelmente aquele cara que você nem sequer dava bola. Isso pode tê-lo deixado depressivo, fazendo-o matar aula e degringolar todo o futuro dele. Não, isso é muito dramático. Mas algo semelhante pode ter acontecido. Infelizmente isso não é culpa sua, não é? Afinal, se ele tivesse ido falar com você poderia ter sido tudo bem diferente.

It’s Kind of a Funny Story é um filme baseado no livro de Ned Vizzini, de mesmo nome, que fala um pouco disso, porém leva a estória para um lado mais sombrio. A diversão do filme não passa despercebida, mas o cenário é a ala psiquiátrica de um hospital em Nova York. Toda essa pressão que mencionei antes leva um garoto de 16 anos a ter a vontade de cometer suicídio. Claro que isso é um pouco exagerado, mas apenas para nós. Aliás, para mim. Muitos de vocês que estão lendo isso ainda podem ter suas tenras idades. As responsabilidades e as cobranças são outras e uma simples discussão com os pais ou uma paixonite aguda pode levar a uma irritabilidade gigantesca. Existem casos de adolescentes que não aguentaram e foram até o fim com a ideia de suicídio, mas aqui, em It’s Kind of a Funny Story temos um protagonista mais comedido. Craig não pensa apenas em si mesmo, ele antes de fazer esse tipo de besteira pensa nos pais e na irmã. Por mais que odeie a atitude do pai, que está sempre mais preocupado com o trabalho que com eles, Craig põe a mão na consciência e pensa duas vezes. Essa reflexão o leva direto ao hospital, onde consegue uma internação de uma semana para observação.

Na ala psiquiátrica do hospital encontramos de tudo um pouco. Esquizofrênicos e sociopatas que em algum momento do filme irão lhe fazer rir. Por isso, um aviso: fique atento ao que está acontecendo em cena, e não apenas no foco principal de um diálogo ou para onde a câmera está querendo chamar sua atenção. Um dos meus comediantes preferidos atualmente está no elenco e é o coadjuvante. Zach Galifianakis, conhecido por filmes como Se Beber, Não Case e Um Parto de Viagem dá um show. Eu que estava acostumado em vê-lo fazendo gracinhas acabei conhecendo seu outro lado. Ainda existem seus toques cômicos, mas são bastante moderados. Quem também está no filme é a minha mais nova paixão – sim, eu me apaixono por atrizes até hoje! Filha de Eric Roberts e sobrinha de Julia Roberts, Emma Roberts vai ganhando cada vez mais espaço no cinema. Espero que puxe a tia e faça muito sucesso para que eu possa vê-la mais na telona.

O interessante de It’s Kind of a Funny Story é observar a evolução do protagonista, que entende o quanto imatura é a sua atitude diante seus problemas ao conviver com pessoas muito mais problemáticas que ele. Galifianakis, por exemplo, já tentou suicídio seis vezes. O motivo das tentativas não é explorado no filme, mas ficamos sabendo que o impulso do personagem em acabar com a própria vida é tão grande que ele nem se lembra da falta que faria à filha. Sua esposa não aguenta mais suas atitudes e parece odiá-lo, preferindo que ele morra de uma vez. Isso é algo bastante complexo se formos parar para pensar. E podemos vislumbrar muitos motivos para que ele queira se matar, já que o roteiro não nos dá a resposta. O caso de Emma Roberts é mais simples, também sem muitas explicações. Pelas marcas mostradas, ela é uma daquelas adolescentes que se auto-mutila, mas que, ao que entendi, não chegou a tentar suicídio. Ela é o par romântico de Craig no filme.

Muitos outros personagens estão presentes no filme. Como eu disse, vale ficar de olho no que está acontecendo na cena inteira. Temos um egípcio que vive na cama e só se sente atiçado a sair caso uma música de seu país seja tocada. Um judeu que tem sensibilidade auditiva e passa o filme inteiro pedindo às pessoas que estão no telefone do corredor para falarem mais baixo. Um idoso que não larga a raquete de ping pong, mas que quando o colocam para jogar fica imóvel. Aliás, ele fica imóvel em qualquer situação.

Esse não é um filme necessário de se assistir, mas é um daqueles filmes interessantes e que não chamam a atenção caso você veja a capa do dvd na locadora ou o pôster na entrada do cinema. É apenas mais um filme. Simples, mas muito bom.

Universo Alternativo é um blog de entretenimento (ou não), criado em meados de 2009 e, quando nada deu certo, foi morto e reinventado a partir do zero (em 2014) como se nada tivesse existido antes. Gerado diretamente do Caos (Caos), assim como seus irmãos Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão), UA é a personificação dos universos paralelos existentes no Cosmos. Para um melhor entendimento sobre o assunto, indicamos o estudo de mitologias de um modo geral.

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