Sempre diga para onde está indo…

Quando você for fazer uma viagem, principalmente se ela for para uma região perigosa, deixe um recado para alguém dizendo onde está indo ou avise aos seus pais, irmãos, enfim. Mas nunca brigue com parentes e amigos antes dessa viagem ou deixe-os totalmente sem notícias suas. Pode ser perigoso, assim como foi para Aron Ralston. Ele ficou 127 Horas com seu braço preso em uma rocha no Canyonland e ninguém sabia onde ele estava.

Todos foram muito felizes na produção de 127 Horas. Desde o posto mais baixo ao mais alto. Porém, ninguém foi mais feliz que Danny Boyle, o mesmo diretor que em 2009 me deixou com muita raiva ao ganhar o Oscar de melhor diretor por Slumdog Millionaire e o grande responsável por mais um ano em que meu favorito ao Oscar de melhor filme perdia a estatueta: O Leitor. Mas tudo bem, eu engoli pela quinta vez consecutiva uma derrota de opinião e deixei pra lá. Ainda não considero Slumdog Millionaire o melhor filme de 2009, mas entendi porque Danny Boyle ganhou como melhor diretor. O cara tem uma visão deslumbrante ao fazer um filme, além de se entregar ao máximo em seus projetos. Isso não havia ficado tão claro em 2009, mas agora, em 2011 (assisti o filme esse ano), isso ficou mais evidente.

O filme abre com uma ótima montagem de imagens, mesclando o dia a dia de vários povos do mundo, interagindo entre si, e o dia de Aron Ralston, preparando-se para sua viagem ao Canyonland. Essa cena deseja passar a diferença entre aqueles que estão próximos uns dos outros e aqueles que não atendem o telefonema nem mesmo de suas mães. Só pensam em si mesmos e desejam viver suas vidas em paz. É bastante rápida essa introdução, que aliás possui uma excelente trilha sonora. É aí que pegamos a estrada com o personagem e começamos a nossa viagem. Danny Boyle fez questão de nos divertir o quanto pôde antes de entrar na parte dramática do filme. Nós percebemos a grande alegria de Aron ao caminhar pelo Canyonland, passando as mãos pelas rochas moldadas, entrando em cada caverna ou buraco do local, pulando, se pendurando, tirando fotos. Ele até tem a oportunidade de conhecer e ajudar duas jovens amigas que estavam perdidas. Após uma rápida diversão em uma das grutas eles se despedem, se separam, se distanciam e o acidente acontece.

Aron estava dentro de uma das passagens estreitas de uma das grandes elevações do Canyonland quando tentou se apoiar em uma rocha circular e caiu. A rocha caiu por cima de sua mão direita e o prendeu. Com a altura da queda e a força exercida ele acabou ficando preso de tal forma a ser impossível, com apenas um homem, remover a pedra. Com apenas uma câmera filmadora, um cantil de água pela metade, uma corda de alpinismo, uma pequena lanterna, alguns alimentos embalados e um canivete vagabundo, ele passou os piores dias de sua vida. Dali pra frente foram tentativas frustradas de levantar a rocha para libertar o braço, que já estava sem circulação, muitas ilusões, acessos de loucura, muita sede e muita fome. Tendo ficado preso por mais de 5 dias e sabendo que ninguém sabia onde ele estava, sua única opção era cortar o próprio braço. Se não o fizesse a morte chegaria de qualquer jeito. O que custava tentar? E foi assim que uma das cenas mais angustiantes tiveram início.

A história de Aron Ralston é real. É possível encontrar fotos dele no local através do Google. Façam uma pesquisa por seu nome ou procurem por vídeos no youtube. Existe uma reportagem onde o passo a passo do processo de amputação é contado por ele mesmo. Sim, Aron sobreviveu e continua fazendo suas viagens arriscadas até hoje, agora casado e com um filho. Mas isso não é um spoiler, já que é baseado em um fato verídico.

O que mais me impressionou foram as tomadas usadas por Danny Boyle, além da fotografia que é um show a parte, pelo menos nos planos abertos. Ele não quis ser básico, procurando enquadramentos difíceis e diversificados. Para ser mais exato, Danny Boyle me surpreendeu. O roteiro também fez um pequeno milagre, já que, pela sinopse, parece um filme chato e parado. Isso marcou mais de um roteiro no ano passado em Hollywood. E James Franco? No meu post sobre o Globo de Ouro eu votei nele como vencedor. O ator não decepcionou e mandou maravilhosamente bem. Espero acertar, assim como espero que ele seja indicado e faça história no Oscar 2011. James Franco será o co-apresentador ao lado de Anne Hathaway, podendo se tornar o primeiro anfitrião a receber uma estatueta na grande noite do cinema. Infelizmente o filme não foi indicado à categoria de melhor filme, nem à categoria de melhor direção, no Globo de Ouro.

Assistam à 127 Horas e tirem suas próprias conclusões.  Espero que sintam a mesma vontade que eu senti ao terminar de assisti-lo: aplaudir de pé esse grande filme, essa grande direção e essa grande atuação. Ele estreia em 27 de Fevereiro nos cinemas do Brasil.

Universo Alternativo é um blog de entretenimento (ou não), criado em meados de 2009 e, quando nada deu certo, foi morto e reinventado a partir do zero (em 2014) como se nada tivesse existido antes. Gerado diretamente do Caos (Caos), assim como seus irmãos Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão), UA é a personificação dos universos paralelos existentes no Cosmos. Para um melhor entendimento sobre o assunto, indicamos o estudo de mitologias de um modo geral.

One Comment

  • Gih Leigh

    13 de janeiro de 2011 at 2:03 pm

    Já tinha ouvido falar dessa história, mas não fazia idéia de que tinha virado filme, o que me animou agora, vou procurar assisti-lo. Agora uma observação… De todos os meios ele perderia o braço, tanto tempo preso e sem circulação, se ele fosse salvo, sofreria uma amputação, já que o membro deveria ter necrozado. A outra forma era a morte e o meio que ele escolheu foi cortar sozinho… CORAJOSO. Eu, em uma situação semelhante, não sei se teria coragem ou se conseguiria tomar uma decisão dessas. Deve ser uma cena bem agonizante mesmo. Vamos acompanhar!

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