blablabla… é Natal

Doutor,

Véspera de natal, cidade cheia, falsidade a flor da pele, luzinhas piscando em tudo que é lado. Pessoas em suas casas preparam seus jantares e se unem para, pelo menos uma vez no ano, rezar, ou fingir né… sejamos coerentes. E cá estou, mais uma vez, eu e eu mesma… entorpecida? Talvez.

– Feliz natal.

– Vá pra puta que pariu você e seu natal.

– Quanta amargura, você devia sair, ir pra casa de amigos, festejar… bebemorar!

– Estou bem assim.

– Assim? Sozinha?

– Pelo menos estou livre de toda essa patifaria e falsidade, sinto-me bem assim.

– Sozinha?

– Antes sozinha do que cheia de gente insuportável, concorda?

– Em termos…

– Qual seu ponto de vista?

– Você está aqui, sozinha, conversando comigo, ou melhor, consigo. Não tem bebida, não tem cigarros, não tem remédios…

– É, aquele doutor é um inútil, não me prescreve mais nada…

– Ele é justo.

– Ele é um filho da puta!

– Talvez você seja.

– Eu sou, você é, ele é… todos somos filhos de uma maldita puta.

– De qualquer forma, todos os filhos da puta estão se divertindo enquanto você continua aqui, filha da puta e solitária.

Em certo ponto, doutor, eu tenho razão, ou melhor, eu sempre tenho razão! Mesmo quando eu discordo de mim… adoro esse tipo de conversa, fazem refletir sobre o meu verdadeiro jeito de agir.

Natal? Pra que porra serve isso? Pra fazer as pessoas gastarem dinheiro com presentes que não agradaram, de fato, outra pessoa. Pra fazerem com que se abracem e finjam que, durante todo o ano, ninguém foi filho da puta com ninguém e acreditam que assim estarão conseguindo algum perdão.

Vamos botar um maldito sorriso na cara e encher o rabo de peru e doces. Vamos ser falsos e assim seremos felizes. Eu te odeio, mas hoje eu te amo, só hoje, porque amanhã voltarei a pisar na tua cabeça.

Cheguei a uma conclusão e hoje, mas somente hoje, eu sei que não serei a unica a fingir, a mentir e esconder o meu verdadeiro eu. Hoje, diferente do resto maldito ano, eu serei igual a todo mundo. E isso é o natal, o momento em que todos mentem, mas ninguém se importa com isso.

Doutor, finalmente fui tomada pelo espirito natalino. Obrigada;

Pseudo intelectual, aspirante a fotógrafa, curiosa por natureza, cheia de ideias revolucionárias que nunca vão chegar a lugar algum. Gosta de filmes de terror, séries dos mais variados tipos e livros dos mais distópicos possíveis. Caiu na besteira de querer ser programadora, mas depois de um tempo foi fazer publicidade e hoje ganha a vida resolvendo problemas que as pessoas não sabiam que tinham. Já tentou ser mestre pokémon, não gosta de princesas e não sabe ser uma menina meiga. Apaixonada por mitologia, vampiros e qualquer outra coisa sobrenatural. Fala mal de tudo, inclusive das coisas que gosta.

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