As corujas de Ga’hoole

As corujas são criaturas lindas. Desde a minha infância eu fui fascinado por elas. Já até tive uma, mas é segredo, senão me prendem por posse ilegal de animal silvestre. Aos defensores dos animais, acalmem-se. Eu e minha mãe estávamos apenas ajudando um filhote, durante uma de nossas viagens, que havia caído do ninho e estava próximo à estrada. Ele foi bem tratado, mas infelizmente morreu algumas semanas depois. Esse tipo de ave não foi feita para viver em cativeiro, mas nossos corações – meu e de minha mãe – são moles. Se pudéssemos, nossa casa já teria se tornado um zoológico há anos. O filme de hoje conta a estória de algumas corujas, nos levando ao mundo fantástico de Guardians of Ga’hoole (A Lenda dos Guardiões).

Guardians of Ga’hoole é adaptado de uma série de livros, dos quais eu nunca li. Antes do filme ser anunciado eu nem mesmo sabia da existência deles. O que me causou espanto foi saber que no total são 15 livros. Nunca imaginei que corujas dariam pano para tanta manga. Porém, não existirá um 16° livro. A série teve seu fim e, que os fãs me desculpem, já estava mais do que hora. E isso não tem nada a ver com gostar ou não deles, até porque, como eu disse, nunca os li. Apenas sou defensor de que tudo deve ter seu fim na hora certa e, segundo a própria autora, era o momento ideal para concluir a jornada de Soren e seu bando. Ficar se estendendo algo nas coxas, só para ganhar mais e mais, é um erro terrível. Aqui no Brasil já estão disponíveis os três primeiros volumes da série, que reunidos formam o longa. Os títulos são: A Lenda dos Guardiões – A Captura, A Lenda dos Guardiões – A Jornada e A Lenda dos Guardiões – O Resgate.

O filme tem início dentro de uma árvore. Nela mora uma família normal de corujas, onde temos os pais, três filhos e uma babá, que é uma cobra. Os três filhos compõem a parte mais importante da estória. Soren, o líder, é uma coruja sonhadora que cresceu ouvindo os contos fantásticos de seu pai sobre a árvore de Ga’hoole e seus guardiões. Ele vive brincando de guerreiro, para lá e para cá, o dia inteiro. Eglantine é sua irmã, ainda filhote, que também dá cordas à imaginação e escuta os mesmos contos fantásticos, agora contados por Soren. O terceiro é Kludd, o irmão de mesma ninhada que nunca deu bola para os contos do pai e não suporta quando Soren toca no assunto. Soren e Kludd ainda são jovens e estão aprendendo a voar. Numa noite, após alguns treinos de voo, eles resolvem apostar quem chega no galho mais distante primeiro e acabam caindo no chão. É aí que tudo tem início. Ambos são sequestrados pelos vilões, chamados de “Os Puros”, para serem treinados e servirem a Metalbeak, o senhor do mal, conhecido como “O Destruidor”. Kludd aprecia a ideia de se tornar melhor que o irmão e acaba aceitando o lado negro, enquanto Soren e sua mais nova amiga, Gylfie, também sequestrada, decidem escolher o lado bom. Tudo isso gera vários momentos, como a fuga das garras do mal, o encontro com novas corujas que se unem à causa, a busca pelos Guardiões de Ga’hoole e, é claro, a batalha final.

Guardians of Ga’hoole é um filme belíssimo no sentido de efeitos visuais e artes conceituais. Além da perfeição na criação das corujas, os cenários são deslumbrantes. É possível dar às mãos a Soren e se aventurar com a estória, mas acabamos tropeçando em um obstáculo: o clichê. Não existe clichê em transformar corujas em seres falantes e guerreiros, mas existe clichê em haver um escolhido. Em nenhum momento é mostrado um pergaminho que diz: “um dia o escolhido chegará a Ga’hoole e trará novamente a salvação ao povo”. Primeiro porque o povo de Ga’hoole não está correndo perigo. Pelo contrário, eles vivem felizes e tranquilos. Segundo porque ele não é exatamente um escolhido, mas dá a entender – e de fato é verdade – que sem Soren não seria possível ganhar essa batalha – ou guerra. E isso não é um spoiler, ou você achou que os bonzinhos não ganhariam? Poucos guerreiros tem a essência que eles chamam de “sentir a moela” e o herói da vez, que nem ao menos sabia voar direito, já sabe lutar como um senhor da guerra. Por isso eu o chamo de “O Escolhido”. Também existem os clichês básicos, por isso não se surpreenda se na metade  do filme – ou até antes – você já souber quem morrerá e quem sobreviverá. Não sou contra os clichês, mas apenas quando eles são bem usados. Não foi o caso dessa vez.

No fim, Guardians of Ga’hoole acaba sendo divertido. A direção de Zack Snyder é muito boa. Acredito que dirigir uma animação não seja uma tarefa fácil. Muito pouco depende do diretor, e quase tudo depende da equipe que está criando todo aquele mundo e aqueles personagens. As crianças gostarão mais que nós, adultos e adolescentes. A trama boba acaba levando a isso, mas é possível terminar de assistir ao filme e perceber um sorriso satisfatório no rosto.

Universo Alternativo é um blog de entretenimento (ou não), criado em meados de 2009 e, quando nada deu certo, foi morto e reinventado a partir do zero (em 2014) como se nada tivesse existido antes. Gerado diretamente do Caos (Caos), assim como seus irmãos Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão), UA é a personificação dos universos paralelos existentes no Cosmos. Para um melhor entendimento sobre o assunto, indicamos o estudo de mitologias de um modo geral.

One Comment

  • Gih Leigh

    17 de dezembro de 2010 at 10:00 am

    Realmente um dos seus melhores posts… Quando vi o trailer desse filme não acreditei na beleza aproximação com o real dos personagens, os gráficos são tão incríveis que, se bobear, você confunde o desenho com realidade, impressionante.

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