Uma hora e quarenta de pura claustrofobia

Existem alguns sonhos que são comuns entre nós. Se você não teve os dois, pelo menos teve um deles. O primeiro é aquele em que nos encontramos nús ou de roupas íntimas no meio da multidão – geralmente acontece durante a adolescência e, na maioria das vezes, o cenário é a sala de aula com todos rindo a nossa volta. O segundo é aquele em que somos enterrados – já mortos ou ainda vivos. Buried (Enterrado Vivo) traz essa situação sufocante às telonas.

Paul Conroy é um motorista de caminhão, norte-americano, contratado para levar mantimentos à famílias no Iraque. Durante um desses trabalhos, ele e seus companheiros sofrem uma emboscada. Paul acaba dentro de um caixão com apenas um celular, um isqueiro e alguns outros itens que, talvez, possam lhe ajudar durante o período em que se encontra preso. O tempo de sobrevivência estimado dentro do caixão é de uma hora e meia, o que faz com que Paul precise correr contra o tempo. Enquanto os ponteiros do relógio não param de andar, ele precisa fazer e receber ligações, para que assim consiga se libertar. As ligações vão desde familiares até agentes do FBI. Duas são prioridade: as de seu raptor e as de quem está tentando localizá-lo.

O perigo em Buried é a simplicidade. Com um orçamento baixo, já que as cenas são todas feitas dentro do caixão, foi imprescindível um roteiro muito bem trabalhado. Detalhes importantes foram incorporados para que o filme se sustentasse, fazendo o público não apenas sentir tensão, mas também ter esperanças. Eu não sou claustrofóbico e senti falta de ar em alguns momentos. Quem possui a fobia deve se preparar antes de assisti-lo. Não, você não terá um ataque no cinema, mas pode ser incômodo ver a agonia de alguém passando por algo que você morreria se passasse. Confesso que fiquei com o pé atrás quando soube desse filme, porém, para o meu alívio, me surpreendi. Posso arriscar em dizer que Buried é muito melhor que alguns filmes recentes de terror. Gênero pelo qual eu já mencionei em outras postagens estar em declínio.

Paul é Ryan Reynolds. Os demais atores, com exceção de uma amiga sua que aparece em um vídeo no celular, fazem suas participações por voz. É difícil opinar sobre alguns aspectos, como a fotografia, por exemplo. São tomadas fechadas, apenas integradas por fundos de madeira e ângulos limitados. O que posso dizer é que em alguns momentos há uma distanciada lateral e superior do personagem, dando uma visualização interessante e aliviando, mesmo que só um pouco, a sensação de pouco espaço. Existe a questão de iluminação, lentes e etc. Só não sou bom o suficiente para ir tão a fundo. Quanto à direção, eu diria que foi boa. Também é preciso ter algumas ideias para que, assim como no roteiro, o filme não fique cansativo. Com certeza algumas pessoas irão achá-lo chato, ruim, etc. Nunca será possível agradar a todos. Mas como sempre, ou na maioria das vezes, eu digo: vale a penas assistir.

Entreia: 10/12/2010

TRAILER
CUIDADO! spoiler nos comentários do youtube

Universo Alternativo é um blog de entretenimento (ou não), criado em meados de 2009 e, quando nada deu certo, foi morto e reinventado a partir do zero (em 2014) como se nada tivesse existido antes. Gerado diretamente do Caos (Caos), assim como seus irmãos Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão), UA é a personificação dos universos paralelos existentes no Cosmos. Para um melhor entendimento sobre o assunto, indicamos o estudo de mitologias de um modo geral.

One Comment

  • Gih Leigh

    9 de dezembro de 2010 at 7:47 am

    Vi ao trailer desse filme no domingo e confesso que fiquei interessada em ver, imaginando a agonia. Me pareceu ser bom, só não imaginei que ele se passava, inteiramente, no caixão, mas agora com seu comentário, creio que valha sim a pena assistir!

    Responder

Deixe uma resposta