Enfim…

Doutor,

peço relutantes desculpas pela ausência nas últimas sessões, não que eu me importe em dar desculpas esfarrapadas, apenas foda-se e aceite que estou, no mínimo, me desculpando por ter faltado. De qualquer forma, não deixei lhe atrasar nenhum cheque, contente-se.

Estou, realmente, cansada e decepcionada com tudo e todos. Eu desisto…

Desisto de tentar. Qualquer coisa. De buscar e se decepcionar. De fugir e não conseguir se esconder. De procurar soluções e se frustrar ao descobrir que elas de nada servem ou apenas servem para gerar mais problemas.

Desisto da humanidade. A humanidade está fadada ao fracasso inexorável. Por mais que teimemos em prolongar nossa permanência nefasta no planeta, um dia perceberemos que o mundo estará bem melhor sem nós. Sim, doutor, eu me incluo nessa turba. E te incluo. A todos nós. Você também, meu caríssimo leitor ignóbil que vem aqui sem ser convidado. Sua mãe também. Toda sua família. E a minha. E daí?

Desisto também de tentar me matar, seja rápida ou lentamente. Apenas sigo em frente estagnada. Desisto de sentir raiva ou tristeza ou mesmo qualquer sinal de alegria, na verdade, raiva eu não deixo não… de qualquer forma eu desisto de procurar sentido numa realidade niilista. De mijar dentro do balde. De respeitar qualquer lei. De batalhar dia a dia tentando prolongar minha existência medíocre. De ajudar os outros a prolongarem suas. Fodam-se todos e assim está bom pra mim, cada um pensando em si, ou nem pensando, como quiserem.

Não, doutor. Não desisto da vida, pra ser exata. Desisto de me preocupar em existir.

E, na boa, pouco me interessa sua opinião ou a de qualquer um a este respeito. Foda-se se parece “emo” ou qualquer outra merda rotulada por cabecinhas limítrofes, cada um tem o direito de pensar a porra que quiser. Chafurdem em seus raciocínios lógicos. Simplesmente cansei. Não tento mais nada. Sou um subproduto do mero acaso e é com isso que arrastarei meus dias, ou não, tanto faz. Chega de contas infinitas e ganhos limitados. De psicanalistas sem respostas e malucos sem perguntas. De idiotas que não entendem piadas ou que as levam ao pé da letra. Eu cansei e estou entregando os pontos.

Eu abraço a insanidade e a beijo de língua.

Pau em violenta ereção sem nenhum motivo aparente.

Pega e chupa quem quiser.

Pouco importa.

Eu desisto.

E ponto final.

Pseudo intelectual, aspirante a fotógrafa, curiosa por natureza, cheia de ideias revolucionárias que nunca vão chegar a lugar algum. Gosta de filmes de terror, séries dos mais variados tipos e livros dos mais distópicos possíveis. Caiu na besteira de querer ser programadora, mas depois de um tempo foi fazer publicidade e hoje ganha a vida resolvendo problemas que as pessoas não sabiam que tinham. Já tentou ser mestre pokémon, não gosta de princesas e não sabe ser uma menina meiga. Apaixonada por mitologia, vampiros e qualquer outra coisa sobrenatural. Fala mal de tudo, inclusive das coisas que gosta.

One Comment

  • GuXta

    26 de novembro de 2010 at 11:56 pm

    What… The… Fuck! Ok, concordo com muita coisa escrita aí. Principalmente que a humanidade é uma merda, não devia existir e vai se foder logo, logo. Já cansei de dizer a alguns amigos que se um ser, seja qual for, chegasse pra mim e perguntasse: “Quer acabar com a humanidade? Se sim, aperte este botão.” eu apertaria sem pensar duas vezes. Sim, eu morreria – desapareceria, sei lá – também. Mas e daí? Nós não merecemos esse lugar. Nunca merecemos.

    Eu adoro viver, mas não consigo ser 100% feliz – se é que isso é possível – com o mundo do jeito que está. Infelizmente – ou felizmente, vai de cada um – eu penso muito no meu exterior. As coisas que acontecem ao meu redor, seja perto ou distante, me atingem.

    Mas o final foi pesado, hein? Eu sei que vc não quer saber a minha opinião, hehehe… Mas eu me assustei. E na real nem entendi essas palavras aleatórias.

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