Brainnnsss! Or anything else…

Não é nenhuma novidade que a qualidade do que se vê na tv vem caindo. No cinema isso também vem acontecendo, principalmente em alguns gêneros, como o terror. Nada melhor que uma boa produção nessa área ser lançada na tv, não? E melhor ainda, com zumbis! Por que como diz o ditado nerd: “se tem zumbi, é bom.”

The Walking Dead não é uma criação direta para a tv. A série que estreou há cerca de quatro semanas no canal AMC – pela FOX/FX no Brasil – é uma adaptação de um quadrinho do selo Image. Vale salientar que por mais que ela tenha seu foco voltado para o terror é super carregada de drama. Outro motivo pelo qual eu aguardei ansiosamente por sua estreia. Sua estória conta a vida de alguns sobreviventes de uma epidemia de zumbis, que até onde eu sei tomou conta de vários estados norte-americanos – li apenas 12 edições do quadrinho. Dentre esses sobreviventes, o protagonista principal é o policial Rick Grimes. Ele passou o início do evento inteiro em coma, devido a um tiro que levou durante uma investida contra alguns criminosos. Rick acordou no hospital e encontrou a cidade destruída e vazia, – com algumas exceções – com vestígios de uma guerra civil composta por prédios ruindo, tanques e helicópteros nas ruas e cadáveres espalhados por toda parte. O problema é que alguns dos cadáveres continuavam caminhando e sedentos por uma mordida. Ele também temeu pela vida de seu filho e esposa, mas quando chegou em casa não encontrou nenhum dos dois. O único vestígio de que eles tinham pelo menos saído com vida foi a ausência do álbum de fotografias.

O drama presente na série é ampla, mas possui um foco maior nos conflitos internos dos personagens. cada um tem um passado e todos perderam alguém. A dor, a angústia, a desesperança, o medo, e tudo que se pode imaginar existe neles. É uma mistura de sentimentos que as vezes torna uma mente sã em uma mente completamente louca. É preciso medir bem seus atos, porque um mínimo deslize pode provocar algo sem volta. E o mais importante, lutar desesperadamente pela sobrevivência, pois a falta de comida, abrigo e recursos em geral são extremos. O desenvolver da série é basicamente esse, mas existem muitas diferenças do quadrinho para a tv. O mesmo acontece no cinema, já que uma adaptação não é apenas uma simples transposição de formatos, mas uma transformação de funcionalidades. O que dá certo no quadrinho não dá certo no audiovisual, por isso é preciso acrescentar elementos novos na série, proporcionando mais dinâmica e incrementando algo que já era bom, tornando a experiência ainda melhor. Por isso os leitores dos quadrinhos podem ter surpresas, mas espero que nenhuma delas seja desagradável.

A primeira temporada será composta por apenas 6 episódios. A AMC não se arriscou em meter os pés pelas mãos, aguardando a aceitação do público para ver o que acontecia. O resultado foi um sucesso, dando ao canal a maior audiência até agora. Como consequência disso já foi anunciada uma segunda temporada, agora com 13 episódios. O quadrinho está na edição 79, e espero que a série vá longe assim.

Entrando nos termos técnicos, logo de cara percebemos algo imprescindível em uma produção que tenha zumbis como plano de fundo: maquiagem. Não sei até que ponto os efeitos visuais são usados, mas a maquiagem está perfeita. Em algumas cenas, geralmente as mais importantes e que são bem conhecidas pelos fãs dos quadrinhos, supera a perfeição. A fotografia é outro ponto forte que conseguiu aumentar a sensação de vazio e melancolia. A direção até agora me agradou e o roteiro está conseguindo ser fiel, ao mesmo tempo que mostra novidades. As atuações, por incrível que pareça, estão excelentes. Do elenco eu só conheço duas pessoas, Sarah Wayne Callies, conhecida pela atuação em Prison Break, no papel de Sarah Tancredi, e Jeffrey DeMunn, – o melhor do elenco na minha opinião – conhecido por muitos papéis de suporte interessantes em filmes e séries, desde 1978. Isso foi uma boa surpresa.

Como podem perceber é uma proposta simples, como todo filme de zumbi. Cabe aos roteiristas se aprofundarem cada vez mais nos personagens e juntos com a AMC fazerem história na tv. Isso me deixa empolgado por saber que muitos quadrinhos podem ter o mesmo futuro, não ficando apenas presos ao cinema. Na maioria das vezes o material é muito bom para durar apenas 1 hora e 40 minutos – ou um pouco mais.

Assistam The Walking Dead! E lembrem-se de mirar sempre na cabeça!

Universo Alternativo é um blog de entretenimento (ou não), criado em meados de 2009 e, quando nada deu certo, foi morto e reinventado a partir do zero (em 2014) como se nada tivesse existido antes. Gerado diretamente do Caos (Caos), assim como seus irmãos Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão), UA é a personificação dos universos paralelos existentes no Cosmos. Para um melhor entendimento sobre o assunto, indicamos o estudo de mitologias de um modo geral.

One Comment

  • Filipe

    21 de novembro de 2010 at 1:36 am

    Bacana do texto, Guxta. Acabei de ler aqui e corri pra assistir o primeiro episódio, agora tô voltando pra comentar…

    Pelo que deu pra perceber, realmente o roteiro não parece ter nada de muito pretensioso ou original (o que é meio difícil mesmo, em se tratando de zumbis). Já o visual, realmente tá fantástico, tanto a maquiagem quanto os efeitos, muito bem feitos e ao que parece por enquanto sem exageros desnecessários. Vou aproveitar que essa temporada vai ser curta e fácil de acompanhar, pra ver no que vai dar. E com a expectativa de que o nível seja mantido nos próximos episódios.

    E a propósito, suas resenhas e dicas estão cada vez melhores…

    Responder

Deixe uma resposta