Repo Men

Sou um aficionado em ficção científica. Desde livros como Sonhos de Robô (Isaac Asimov), O Homem Duplo (Philip K. Dick) e 1984 (George Orwell) até filmes como 2001: Uma Odisséia no Espaço (Stanley Kubrick), Blade Runner (Ridley Scott) e Matrix (Irmãos Wachowski). Claro que além dos livros e filmes citados existem muitos outros que se equiparam à eles. Só que o meu gosto por ficção científica é sujo. Gosto daquele cenário pós apocalíptico ou ideias que nos levam à outra realidade – seja dentro ou fora dos padrões. É por isso que eu estava empolgado com Repo Men, que não traz um elenco muito bom, nem por trás, nem pela frente das câmeras, mas tem um plot espetacular. Logo mais à frente falarei sobre essa galera.

Adaptado de um livro, escrito por Eric Garcia, a trama de Repo Men se passa a 20 anos a partir de agora, mostrando a vida de um coletor de órgãos artificiais – Jude Law. Ele trabalha para uma enorme empresa, praticamente dona do mercado em questão, chamada ‘The Union’ e seu trabalho é ir atrás de pessoas que atrasaram o pagamento de seus órgãos e reapossar o produto para a empresa. Isso significa que ele tem o direito legal de abrir uma pessoa a sangue frio e retirar o dispositivo, deixando-o disponível para futuros clientes. O que chama a atenção é que a maioria desses órgãos artificiais acabam sendo comprados por pessoas que não tem condições de possuir um plano de saúde que cubra o valor pedido, chegando a preços absurdos como US$1 milhão, fazendo com que os clientes fechem planos de pagamento mensal e acarretem em um atraso quase certo. O lucro da empresa é sempre melhor quando isso acontece – e é inevitável -, pois o produto retorna após alguns meses de pagamento e inicia-se assim um circulo de ganho sem fim.

Mas você deve estar pensando: “É, o plot é bem interessante. Mas o filme se passa todo assim?” – claro que não. O tal coletor, Remy, acaba precisando de um transplante de coração, caindo nas garras da The Union. Isso acontece logo quando ele decide fazer seu último serviço, pensando em deixar o setor de coletas e migrar para o setor de vendas, devido a brigas constantes com sua esposa, que não aceitava seu trabalho. Coincidência? Quem sabe. Talvez seja um mero caso de azar, não? Se quiser saber é só assistir.

O elenco é fraco. Mas essa é a minha opinião. Jude Law é o mais forte dentre eles e contracena bastante com Forest Whitaker, que é seu amigo de longa data e também de setor. Longe de mim falar mal de Whitaker, que já mostrou ter muito talento. O problema é que as vezes ele não escolhe muito bem seus papéis e por isso não se encaixa em alguns filmes. Esse é um deles. Já Jude Law é mais variado e seu perfil se encaixa em muitos gêneros de filmes e tipos de personagens. Ou seja, gostei da atuação de Law, mas não gostei tanto da de Whitaker. Outro ator presente, que vem sendo colocado em muitos filmes para tapar buraco, é Liev Schreiber, o chefe. Ultimamente ele tem feito mais filmes que qualquer outra pessoa, em papéis secundários. Só que nem mesmo como antagonista bundão ele fica bem. O que me leva a crer que ele é barato e como é um rostinho conhecido, fica sendo a melhor opção para os produtores. Eu pesquisaria mais. Outra peça importante do filme é a brasileira Alice Braga, que assim como Schreiber vem aparecendo constantemente em filmes. Ela faz o par romântico de Remy. Sua atuação melhorou desde sua primeira importante aparição em hollywood, mas ainda precisa de muito mais.

A produção do filme em si é muito boa. Gostei da direção de Miguel Sapochnik, que soube usar bem a opção de planos fechados, na qual a maior parte do filme se passa. Mas também não deixou a desejar nos planos abertos, onde num deles acontece uma cena de fuga, bem movimentada. Foi a sua primeira direção de um longa, antes ele só havia trabalhado com storyboard em filmes como Trainspotting. A fotografia ficou bem suja, como eu disse gostar no início da postagem. Em algumas partes visualizamos áreas conservadas, mas existe o lado abandonado da cidade também. A montagem ficou boa, sem muitas surpresas, com exceção do começo do filme, onde temos um ponto de partida para mais à frente alcançarmos. O roteiro foi o que me incomodou um pouco, mas bem de leve. Em alguns pontos ele poderia ter ousado mais e partido para uma dinâmica diferente. O final é um desses pontos, que não foi ruim, mas se manteve simples demais.

Minha nota final para Repo Men é 4 (de 5). Se não fosse pela falta de ousadia no roteiro e pelos erros na escalação de elenco poderia ter sido 5 sem pensar duas vezes.

Universo Alternativo é um blog de entretenimento (ou não), criado em meados de 2009 e, quando nada deu certo, foi morto e reinventado a partir do zero (em 2014) como se nada tivesse existido antes. Gerado diretamente do Caos (Caos), assim como seus irmãos Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão), UA é a personificação dos universos paralelos existentes no Cosmos. Para um melhor entendimento sobre o assunto, indicamos o estudo de mitologias de um modo geral.

2 Comments

  • Gih Leigh

    11 de novembro de 2010 at 10:57 am

    Eu já ia te xingar porque no começo do post você diz que o elenco é fraco e depois menciona a participação de Jude Law, mas depois explicou direitinho. Gosto bastante do trabalho dele como ator, pelo menos sempre esteve excepcional em todos os filmes que vi. Adorei o post e fiquei interessada em assisti-lo, vamos só ver se consigo arrumar uma folguinha na minha agenda!

    !!!

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