Sonho ou realidade?

Antes de mais nada eu devo avisar que se você não assistiu o filme Inception (A Origem), é melhor parar por aqui. Existirão spoilers que comprometeram sua apreciação dessa grande obra prima do cinema. Se você assistiu, é só continuar e concordar ou discordar do que lerá. #simbora

É difícil falar de Inception. Assim como é difícil falar de outros filmes de Christopher Nolan. O cara é um dos mais brilhantes diretores da atualidade, e eu não incluo Batman: The Dark Kinght na lista de seus melhores filmes. Nessa lista devem estar lado a lado Memento (Amnésia) e Inception. A única diferença de um para o outro – além do plot, é claro – está na grandiosidade. Um tinha um roteiro simples, sem necessidade de inserções de efeitos visuais e gastos excessivos. O outro já funcionaria melhor se fosse incrementado, dando uma profundidade maior e nos fazendo deslumbrar sobre o visual maravilhoso posto em tela. Além dos conceitos, é claro. A questão é que Nolan fez algo surpreendente em apenas 9 anos. Escrever e dirigir dois filmes geniais.

É interessante perceber como o diretor se sente confortável com o tema. Até mesmo em outros filmes de sua autoria tudo leva para o mesmo caminho: a mente. Em Inception temos como plano principal os sonhos. Em Memento temos a memória. Em Batman temos a consciência. Em Insônia tem a insônia. E em The Prestige (O Grande Truque) temos a ilusão, que nada mais é que uma forma de enganar nossa percepção e brincar com nosso cérebro. Se faltar mais alguma opção pode ter certeza que logo, logo ele irá escrever sobre ela.

Mas vamos falar de Inception…

Imagine que você pudesse sonhar em conjunto com outras pessoas, e que dentro do sonho pudesse interagir com elas. É uma espécie de sonho lúcido, como conhecido na nossa realidade. Se você deseja pegar um objeto, você poderá pegá-lo. A escolha é sua. Com essa possibilidade é possível, então, roubar informações de alguém através dos sonhos. Quando dormimos entramos em alguns estágios em que o cérebro fica 100% ativo, chamados de REM, ou MRO (Movimento Rápido dos Olhos) em português. No filme, pelo que entendi, eles usam compostos químicos para que isso aconteça constantemente durante o sono de uma pessoa, possibilitando essa interação e uma atividade cerebral passível de pensar como na realidade acordada. Na maioria dos casos essa extração de informação se volta para a espionagem empresarial, e é o que a equipe de Cobb – Leonardo DiCaprio – faz. Porém, aparece uma questão: e se ao invés de extrair algo quisermos inserir? Bom, a situação complica um pouco, mas não é impossível. A única coisa que deve ser feita é implantar uma ideia durante o sonho do alvo. Mas há uma dificuldade e também seus riscos. Para que isso seja feito, é preciso ir mais a fundo, e construir sonhos dentro de sonhos. Assim a ideia será melhor trabalhada e será implantada de forma quase perfeita, provocando até mesmo uma obsessão por ela. Para que isso seja feito é preciso tempo, e para se ter tempo suficiente usa-se um forte anestésico. O perigo disso tudo está no que pode acontecer dentro do sonho. Nos sonhos normais, de apenas uma “camada”, quando alguém morre simplesmente acorda na vida real. A cada nível avançado, o tempo sofre uma deformação, fazendo com que um pequeno cochilo de meia hora dure horas, semanas, meses ou até mesmo anos, dentro do sonho. O nível 5, conhecido como Limbo, é o mais perigoso, pois lá não existe controle sobre o sonho, é apenas um universo de subconsciência coletiva e pode causar danos irreparáveis a quem permanece ali por muito tempo, transformando o sonho em sua própria realidade. É para o Limbo que quem morre e não acorda na vida real, por fatores externos, vai.

Tudo isso acaba não se baseando apenas em espionagem empresarial, como deveria ser esperado. No desenrolar do roteiro percebemos que existe algo maior por trás de Cobb, que mais tarde nos mostra ter relação com a morte de sua esposa. Cobb se sente responsável pela morte dela, e oficialmente é indicado como o assassino. Seus filhos o esperam, mas ele não pode voltar para casa, a não ser que queria ser preso pelo assassinato de sua mulher. É aí que chegamos no ponto decisivo do filme, onde temos um grande conflito interna acontecendo com Cobb. E isso irá determinar o final dessa estória.

Como eu disse anteriormente, é um filme difícil de se comentar, pois é lotado de detalhes e nem mesmo seu final tem apenas uma compreensão. Cada um irá tirar sua própria conclusão, o que mais uma vez confirma a genialidade de Nolan. Não é preciso fazer finais alternativos para que uma pessoa escolha qual o melhor, mas sim finais subentendidos, que possibilitam finais alternativos virtuais, dos quais são criados em nossa imaginação. Até assim ele consegue se aproximar de seu assunto favorito: a mente.

Universo Alternativo é um blog de entretenimento (ou não), criado em meados de 2009 e, quando nada deu certo, foi morto e reinventado a partir do zero (em 2014) como se nada tivesse existido antes. Gerado diretamente do Caos (Caos), assim como seus irmãos Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão), UA é a personificação dos universos paralelos existentes no Cosmos. Para um melhor entendimento sobre o assunto, indicamos o estudo de mitologias de um modo geral.

One Comment

  • Luke

    4 de novembro de 2010 at 6:45 pm

    Olha… eu não gosto muito de filmes em geral, talvez por mera hiperatividade, mas a idéia desse filme me parece muito doida, e não impossível. Como, por exemplo, “Os Homens que Encaravam Cabras”. Deve ser muito tenso alguém poder mexer com o que você pensa. Peraí. Já fazem isso, putzz!
    Mas gostei da idéia.

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