A vida na corte real

Eu sou uma pessoa fascinada por uma época que não vivi. E se eu pudesse, teria escolhido viver nela. Adoro tudo que é produção épica ou algo que chegue perto disso, e quando um canal tão bom como a Showtime resolve fazer algo do gênero eu não penso duas vezes e acompanho com muita alegria. The Tudors tinha tudo para dar certo, e deu. Claro que não é um sucesso absoluto como Dexter, que também é uma produção do canal, mas por um motivo óbvio. The Tudors é feito para pessoas como eu, que gostam dessa época onde reis, seus cavaleiros e a igreja Católica dominavam o mundo. Se você é uma dessas pessoas siga meu conselho e assista a série. O resultado será uma satisfação imensa.

Como o próprio nome dá a entender, The Tudors conta a história da família Tudor. Na verdade, não conta a história da família, mas de umapassagem da família. Aqui o foco é a vida de Henrique VIII, passando por seus tantos casamentos, seus problemas de saúde, seus filhos, seus problemas políticos e problemas com a igreja. A vida de Henrique VIII foi muito ativa e cheia de novidades. Lendo à respeito desse personagem histórico é possível imaginar que toda semana tinha alguma grande novidade surgindo na corte. Nem sempre envolvia seu nome diretamente, mas muitas dessas novidades acabavam o colocando no meio. Para ilustrar melhor a vida desse homem posso comentar seus casamentos, que foram seis ao todo. Cada um com sua peculiaridade. Isso já chama a atenção, pois nenhum outro rei havia chegado a esse número. Para se ter ideia desses “escândalos”, seu divórcio com Catarina de Aragão, a primeira rainha, rendeu sua excomunhão da igreja católica, fazendo com que Henrique decidisse, mais tarde, desligar a Inglaterra de toda e qualquer lei de Roma e formar a igreja Anglicana, da qual se declarou líder. Outro evento importante ligado a um de seus casamentos é a execução da segunda rainha, Ana Bolena, condenada por alta traição.

Saindo da parte histórica é interessante falar da qualidade da série em termos técnicos. A produção é fantástica. O figurino é lindo, os cenários são maravilhosos e o ambiente imposto pela direção é perfeito. O elenco é excelente, com a exceção, infelizmente, do mais importante personagem da série, que é o próprio Henrique VIII. Jonathan Rhys Meyers peca em interpretar um rei, e peca mais ainda em não acompanhar o ritmo de amadurecimento do mesmo. É claro que o personagem amadurece conforme as temporadas vão passando, porém não como é esperado. Nesse caso acho que quem merece palmas são os diretores em cada episódio, que indicam como Rhys Meyers deve manter seu personagem. Só que isso não incomoda, porque mesmo o personagem mais importante ser Henrique VIII, os secundários são bastante presentes e tem sua importância bem fixada na série, possibilitando uma boa rotatividade, sem nos cansar.

É importante informar também que mesmo contendo seus fatos históricos, a Showtime preferiu ter uma pequena licença poética no roteiro, fazendo com que incertezas históricas se tornem certezas e que coisas que nem mesmo foram mencionadas passem a fazer parte da série. Isso tudo para dar mais ênfase em determinados momentos e montar uma trama interessante. Por isso The Tudors não é um bom material para estudo da época, mas sim um bom material de diversão e entretenimento. Ah! E se você gosta de cenas picantes, com nudez e etc. tenha bom proveito!

The Tudors teve sua última temporada lançada esse ano (2010). Não consegui confirmar a informação, mas parece que Rhys Meyers não quis renovar o contrato para mais um ano. Que ironia, não? A fraqueza da série foi o que derrubou sua estrutura. Uma pena. Pelo menos você tem uma certeza, caso queira começar a assistir The Tudors. Não será mais uma série que terá um final abrupto e sem sentido. Eu prometo à você: sua apreciação será total e plena, com o maior respeito possível.

Universo Alternativo é um blog de entretenimento (ou não), criado em meados de 2009 e, quando nada deu certo, foi morto e reinventado a partir do zero (em 2014) como se nada tivesse existido antes. Gerado diretamente do Caos (Caos), assim como seus irmãos Nyx (Noite) e Érebo (Escuridão), UA é a personificação dos universos paralelos existentes no Cosmos. Para um melhor entendimento sobre o assunto, indicamos o estudo de mitologias de um modo geral.

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