Battle Royale

(“Battle Royale”, 1999, de Koushun Takami )

Vamos brincar de imaginar por alguns momentos. Comece imaginando que você e sua família moram em um lugar conhecido como “Grande República do Leste Asiático”: você vai à escola, conversa com seus amigos e sabe que existe uma lei chamada “ATO BR”.

Também conhecida como “O Programa” o “ATO BR” consiste em sortear uma classe de estudantes para participar de um jogo onde a principal regra é matar uns aos outros até restar apenas um. O governo diz que o motivo do jogo é cumprir uma demanda social, mas a verdade ninguém sabe. Então, um dia, você está em um ônibus, fazendo viagem de campo com os seus colegas de classe, quando todos à sua volta começam a cair no sono e você mesmo não consegue mais se manter acordado.Tudo, de repente, fica escuro e, ao abrir os olhos, você está com seus colegas em uma sala de aula que não é a sua, uma espécie de coleira está em seu pescoço e o homem sentado atrás da mesa não é seu professor.

Esse homem é um agente do governo que veio informar que sua classe foi selecionada para o programa daquele ano. Você tem 48 horas para matar seus colegas de classe ou morrer na tentativa. A coleira que você usa possui um localizador e você não consegue retirá-la. Portanto, se tentar fugir da ilha, o governo saberá. Se nenhum aluno morrer em 24 horas, a coleira de todos explodirá e, assim, “O Programa” não terá nenhum vencedor.

Todos os habitantes da ilha que você está foram expulsos, assim os alunos tem a ilha inteira só para eles. Eles podem ficar em casas, apartamentos, lojas (mas os telefones estão desligados) e, logicamente, muitos pensaram em se esconder para não ter que matar e muito menos morrer. Só que a ilha foi dividida em Quadrantes. A qualquer momento pode acontecer de um ou mais quadrantes serem designados como áreas proibidas, obrigando os alunos, lá localizados, a saírem rapidamente. Alto-falantes informam os alunos quando um quadrante se torna proibido. Se o aluno não sair da área proibida, sua coleira será explodida.

A única coisa que você receberá é um kit de sobrevivência que contém água, um pouco de comida e uma arma aleatória que pode ir de uma tampa de panela até uma metralhadora: e assim o jogo começou.

Battle Royale foi – e ainda é – um dos livros mais controversos e ao mesmo tempo de maior sucesso da literatura oriental.A premissa violenta em contraste com a forma delicada em que a história é narrada, consegue colocar o leitor em estado de tensão permanente até chegar ao ponto em que você se sente dentro do jogo e não consegue decidir para quem torcer.

Isso porque a coisa mais interessante em Battle Royale é não existirem heróis ou vilões: todos os personagem são únicos, com falhas e histórias de vida próprias que acabam tornando-semuito “identificáveis” , deixando-os muito próximos do leitor. Alguns, pressionados pelo terror psicológico, vão deixar de lado seus princípios e partir para a mais básica forma de preservação – a violência. Outros vão conseguir manter sua racionalidade e pensar em maneiras de superar aquela situação. Alguns vão tentar fazerem sozinhos. Outros, em grupo.

Observando todas as possíveis a variações de sentimentos e atitudes que o ser humano pode chegar a situações de sobrevivência extrema, os mais variados desfechos para a trama tornam-se possíveis deixando a história irresistivelmente imprevisível do começo ao fim.

4 Comments

Deixe uma resposta